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Cerrado perdeu 7,9 milhões de ha de vegetação secundária em 39 anos

Cerrado perdeu 7,9 milhões de ha de vegetação secundária em 39 anos73% da vegetação secundária perdida é derrubada novamente. Foto: Thomas Bauer/ISPN

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Resumo

  • Desde 1987, o Cerrado perdeu 7,9 milhões de hectares de vegetação secundária (área equivalente a quase duas vezes o estado do Rio de Janeiro), segundo levantamento inédito do Ipam e da rede MapBiomas divulgado no Dia do Cerrado (11 de setembro).
  • Sem proteção específica, 73% da vegetação secundária perdida é derrubada novamente em até dez anos após o primeiro desmatamento, liberando gás carbônico e comprometendo a recuperação do bioma.
  • Outros 27% das perdas atingem áreas com 11 anos ou mais de regeneração, destruindo locais onde o ecossistema já se consolidava e reduzindo a resiliência frente a eventos climáticos extremos.
  • Entre 2017 e 2025, o corte dessas áreas cresceu 19,9% em relação ao período de 2006 a 2017, com destaque negativo para 67 municípios concentrados principalmente na fronteira agrícola do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

 

Desde 1987, o Cerrado perdeu 7,9 milhões de hectares de vegetação secundária, área quase duas vezes maior do que o Estado do Rio de Janeiro. Dados foram coletados em levantamento inédito realizado por pesquisadores do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) na rede MapBiomas para o Dia do Cerrado, comemorado neste 11 de setembro.

Em 2025, a vegetação secundária ocupava 7,5 milhões de hectares no bioma, o equivalente a 8% da cobertura remanescente do Cerrado.

Vegetação secundária é uma área de vegetação nativa que cresce após o desmatamento. Sua recuperação pode se dar tanto através do crescimento natural ou regeneração da vegetação nativa quanto por iniciativas e ações de restauração. Embora seu surgimento compense parte das perdas provocadas pelo desmatamento, sua vulnerabilidade compromete a conservação do Cerrado.

Sem mecanismos específicos de proteção para sua proteção, 73% da vegetação secundária perdida no bioma é desmatada novamente com até dez anos após a primeira derrubada, comprometendo sua capacidade de recuperação e liberando gás carbônico na atmosfera, principal motor do aquecimento global do planeta.

“À medida que a vegetação secundária se desenvolve, ela pode acumular biomassa e carbono, ampliar a conectividade da paisagem e recuperar parte das funções ecológicas. Isso não significa que ela seja equivalente à vegetação primária, mas mostra porque sua permanência tem um papel importante no avanço da recuperação do Cerrado”, explica Bárbara Costa, analista de pesquisa do Ipam e da rede MapBiomas.

Pesquisa realizada em florestas da América do Sul e da América Central mostrou que florestas secundárias acumulam carbono 11 vezes mais rápido do que florestas primárias. No entanto, o desmatamento dessas áreas corresponde a 13,6% de toda a área desmatada no Cerrado desde 1987.

Áreas jovens

No Cerrado, a maior parte da perda de vegetação secundária ocorre em áreas jovens, mas outros 27% ocorrem em áreas com 11 anos ou mais. Isso mostra que esta perda também tem afetado áreas onde a recuperação já vinha se consolidando há mais de uma década.

“Quando uma área de vegetação secundária é novamente suprimida, os impactos acumulados sobre a estrutura e a diversidade do ecossistema amplificam os efeitos da degradação e tendem a tornar as paisagens cada vez menos resilientes aos efeitos dos eventos climáticos extremos”, explica Dhemerson Conciani, pesquisador do IPAM e da rede MapBiomas.

Entre 2017 e 2025, o desmatamento de áreas de vegetação secundária aumentou 19,9% em relação ao período entre 2006 e 2017, contribuindo para a perda acumulada dessas áreas. Na última década, 67 municípios do Cerrado perderam pelo menos mil hectares a mais de vegetação secundária do que ganharam no período.

As áreas mais afetadas estão concentradas principalmente no Matopiba, fronteira agrícola que abrange porções dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Acesse o infográfico completo com os dados sobre vegetação secundária no Cerrado