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Crise climática aumenta riscos para trabalhadores do campo

Crise climática aumenta riscos para trabalhadores do campoCalor extremo, secas e chuvas intensas afetam a rotina no campo. Foto: Mapa

Agricultura sob risco: plantas podem não resistir ao calor extremo
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Calor extremo e seca batem recorde no Centro-Oeste

Resumo

  • O agronegócio brasileiro empregou 28,4 milhões de pessoas no terceiro trimestre de 2024, o equivalente a 26% da população ocupada no país, segundo dados do Cepea/Esalq-USP e do IBGE.
  • Os trabalhadores enfrentam condições cada vez mais severas no campo — como calor intenso, secas e enchentes —, cenário que se intensifica com o aquecimento global e a proximidade de um El Niño forte.
  • Um relatório do IPES-Food aponta que a agricultura responde por cerca de um terço das mortes relacionadas ao trabalho no mundo. Além disso, trabalhadores de frigoríficos no Brasil e nos Estados Unidos apresentam taxas de lesões e doenças de três a dez vezes superiores à média nacional.
  • Para mitigar os riscos do calor extremo (como desidratação e exaustão térmica), são necessárias medidas como oferta de água potável, pausas para descanso, áreas de sombra, ajuste de horários e protocolos claros de segurança.
  • Proteger a saúde e a segurança de quem trabalha no campo é uma necessidade prática e urgente para enfrentar um clima desafiador, unindo as preocupações de trabalhadores e produtores rural.

 

O agronegócio empregou 28,4 milhões de pessoas no Brasil no terceiro trimestre de 2024, o equivalente a 26% das pessoas ocupadas no País, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), com base em dados do IBGE.

Por trás desses números estão trabalhadores que enfrentam, diariamente, os desafios de produzir em meio a condições climáticas cada vez mais extremas. No campo, o calor intenso pode tornar a jornada mais desgastante. Chuvas fortes e enchentes podem colocar equipes em risco e interromper atividades, enquanto períodos de seca afetam a disponibilidade de água e a rotina das propriedades.

Com o avanço do aquecimento global e a previsão de um El Niño muito forte cada vez mais próximo, a preocupação com a segurança dos trabalhadores ganha ainda mais importância. Um relatório do Painel Internacional de Especialistas em Sistemas Alimentares Sustentáveis (IPES-Food) chama a atenção para os riscos à saúde de quem trabalha na produção e no processamento de alimentos.

Calor extremo exige cuidados

O relatório aponta que a agricultura responde por cerca de um terço das mortes relacionadas ao trabalho no mundo. Entre os riscos estão a exposição a condições climáticas extremas, as jornadas prolongadas e o contato com pesticidas e outros produtos químicos.

Em dias muito quentes, o esforço físico sob o sol pode provocar desidratação, mal-estar e exaustão térmica, além de aumentar o risco de acidentes. Por isso, medidas como oferecer água potável, garantir pausas para descanso e disponibilizar locais de sombra podem fazer diferença na proteção das equipes.

Também é importante planejar as atividades considerando a previsão do tempo, ajustar os horários quando possível e orientar os trabalhadores sobre como reconhecer os sinais de mal-estar provocados pelo calor. Em situações de risco, como enchentes e incêndios, é fundamental ter procedimentos claros para preservar a segurança de todos.

A preocupação não se restringe à lavoura. Segundo o estudo, trabalhadores de frigoríficos no Brasil e nos Estados Unidos apresentam taxas de lesões e doenças ocupacionais de três a dez vezes superiores à média nacional desses países. O relatório cita problemas relacionados ao esforço físico, aos movimentos repetitivos e à exposição a agentes químicos e biológicos.

Proteger quem trabalha

As mudanças climáticas trazem desafios que vão além da produtividade e dos custos de produção. Proteger quem trabalha nas propriedades rurais e nas demais atividades da cadeia alimentar também precisa fazer parte do planejamento para enfrentar as novas condições do clima.

Antecipar períodos de calor intenso, organizar as jornadas, oferecer condições adequadas de descanso e adotar medidas de segurança são iniciativas que ajudam a reduzir riscos e preservar a saúde das equipes.

O tom do relatório

O relatório do IPES-Food adota, em vários trechos, uma linguagem excessivamente ativista. Esse tom poderia dar lugar a uma abordagem mais equilibrada, capaz de aproximar o debate de quem vive a realidade da produção.

O produtor rural também enfrenta os efeitos do clima, com perdas, custos crescentes e a necessidade de adaptar sua atividade. Por isso, discutir a segurança dos trabalhadores é reconhecer uma preocupação que faz parte do dia a dia do campo: cuidar das pessoas que ajudam a manter a produção em funcionamento.

O tom adotado pelos autores, porém, não desmerece o conteúdo. Com o clima cada vez mais desafiador, proteger a saúde de quem trabalha no agro é uma necessidade concreta e urgente.