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Desmate altera fluxo dos córregos entre a Amazônia e o Cerrado

Desmate altera fluxo dos córregos entre a Amazônia e o CerradoPesquisa monitorou, durante 3 anos, oito bacias no Mato Grosso. Foto: IPAM

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O avanço do desmatamento na zona de transição entre o Cerrado e a Amazônia está desequilibrando o ciclo da água em pequenas bacias hidrográficas. Um estudo liderado pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) revela que a perda de vegetação nativa aumenta o risco de enchentes no inverno e agrava a seca no verão.

A pesquisa monitorou, durante três anos, oito bacias no leste de Mato Grosso com diferentes níveis de preservação (entre 10% e 80% de mata). Os dados mostram que áreas mais desmatadas podem registrar até o dobro do fluxo anual de água em relação às áreas preservadas.

O fim do “efeito esponja”

A substituição de florestas por pastagens ou lavouras, de acordo com o estudo, interrompe processos naturais como a infiltração da água no solo e a evapotranspiração. Sem as árvores para reter o volume, a água da chuva escorre rapidamente para os rios, gerando picos de vazão perigosos.

“Conseguimos monitorar a vazão dos córregos de forma contínua, com medições a cada hora, em uma região com poucos dados hidrológicos. Isso nos permitiu entender como o desmatamento acelera o escoamento da chuva, aumenta o risco de enchentes e reduz a água disponível na estação seca. Os resultados mostram que é preciso considerar a sazonalidade, a topografia e os solos para avaliar os impactos na segurança hídrica, especialmente em anos de seca severa”, afirma a pesquisadora do IPAM e principal autora do artigo, Hellen Almada.

Seca mais severa

Embora o volume total de água suba no período de chuvas devido ao escoamento superficial, a reserva para os meses de estiagem cai drasticamente:

  • Em bacias desmatadas: A vazão no período seco cai para apenas 10% do fluxo anual.
  • Em bacias conservadas: O fluxo se mantém estável em 30%, garantindo água mesmo em anos de pouca chuva.

Soluções para o agronegócio

O estudo não foca apenas no problema, mas aponta caminhos para garantir a produtividade a longo prazo:

  • Regra dos 50%: Manter ao menos metade da vegetação nativa em áreas inclinadas garante maior estabilidade hídrica.
  • Planejamento estratégico: Conservar áreas-chave reduz os picos de cheia e sustenta os rios na seca.

Para Leonardo Maracahipes-Santos, pesquisador do IPAM, os dados são reveladores do que é preciso fazer.

“Os resultados mostram que o desmatamento impacta diretamente a segurança hídrica e reforçam a importância de conservar a vegetação nativa e planejar melhor o uso da terra”,