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Emissões de metano no Brasil crescem, apesar de acordo internacional

Emissões de metano no Brasil crescem, apesar de acordo internacionalAgropecuária continua sendo a maior fonte de metano no País. Reprodução: EBC

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Por André Garcia

Quatro anos depois de assinar, na COP26 em Glasgow, o compromisso de reduzir em 30% as emissões de metano até 2030, o Brasil segue na contramão. O lançamento do gás cresceu 6% entre 2020 e 2023, chegando a 21,1 milhões de toneladas no ano passado — o segundo maior nível da série histórica.

De acordo com levantamento divulgado pelo Observatório do Clima nesta quarta-feira, 27/8, o Brasil é o quinto maior emissor de CH4 do mundo (atrás de China, Estados Unidos, Índia e Rússia), mas, assim como outros grandes emissores, não fez quase nada para implementar o compromisso.

Para dimensionar o impacto, o metano liberado no País em 2023 corresponde a 406 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, mais do que todas as emissões de gases de efeito estufa da Itália no mesmo período.

O dado chama atenção porque o metano (CH₄) é um gás com efeito muito mais potente que o dióxido de carbono e, embora permaneça menos tempo na atmosfera, seu poder de aquecimento global é 28 vezes maior ao longo de um século. Ou seja, cortar emissões de CH₄ pode trazer resultados mais rápidos no combate à crise climática.

O peso da agropecuária

De acordo com o Observatório do Clima, a agropecuária continua sendo a maior fonte de metano no Brasil, responsável por 75,6% das emissões em 2023, o equivalente a 15,7 milhões de toneladas. Com 238,6 milhões de cabeças de gado, a pecuária sozinha responde por 98% desse total.

Não à toa, o “arroto do boi” é o principal gargalo climático do País: só em 2023, a fermentação entérica liberou 14,5 milhões de toneladas de metano.

“Mesmo com crescimento do rebanho, é possível reduzir em até um quarto as emissões até 2035, se houver investimento em dieta animal, redução do tempo de abate e melhoria genética”, explica Gabriel Quintana, analista de clima do Imaflora.

Resíduos e queimadas

Depois do agro, o segundo setor mais poluente é o de resíduos, com 3,1 milhões de toneladas em 2023. Neste caso, o Observatório do Clima aponta que o principal desafio para o País é encerrar todos os lixões até 2028, ampliar a reciclagem e aproveitar o biogás dos aterros sanitários.

Outro destaque é a mudança no uso da terra, com 1,33 milhão de toneladas emitidas em 2023, em grande parte devido às queimadas. A lista se completa com o setor de energia (0,55 Mt) e processos industriais (0,02 Mt).

Caminhos possíveis

Segundo o Observatório do Clima, reduzir as emissões de metano em 45% poderia evitar um aumento de 0,3 ºC na temperatura média do planeta até 2040. Para isso, o Brasil teria de enfrentar de forma combinada três frentes: a magnitude da pecuária, a precariedade na gestão de resíduos e o impacto do desmatamento.

“Para liderar a ambição climática mundial, o Brasil precisa focar em regeneração florestal, recuperação de solos e energias renováveis. Mas também terá de lidar com o metano, que concentra os maiores desafios”, afirma David Tsai, coordenador do SEEG.

 

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