HomeEcologia

Governo antecipa combate ao fogo em áreas vulneráveis

Governo antecipa combate ao fogo em áreas vulneráveisTambém foi reforçado o alcance da fiscalização. Foto: TV Brasil/Divulgação

Saúde cria sala de situação para monitorar emergências climáticas
Governo anuncia plano para reduzir emissão de carbono na agropecuária
Brasil figura entre líderes em aumento de risco por agrotóxicos

Por André Garcia

Para evitar que em 2025 repita o recorde de queimadas registrado em 2024, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) antecipou o lançamento de estratégias de prevenção e combate ao fogo e estabeleceu estado de emergência ambiental em áreas vulneráveis a incêndios.

O documento garante a contratação emergencial de brigadistas federais e foi assinado nesta quinta-feira, 27/2, quando Ministério e Ibama também anunciaram o aumento de 25% no número de brigadistas e a aprovação de uma resolução com regras para o manejo do fogo em unidades de conservação e propriedades rurais.

“Com essas informações, os agentes públicos tomarão as medidas necessárias para agir em conformidade com o risco posto. A construção da portaria envolve muito trabalho, ciência, reuniões e o processo de reestruturação do sistema de enfrentamento às emergências climáticas”, afirmou a ministra Marina Silva.

A estratégia para 2025 é o planejamento de ações por fases, ao longo do ano e para as diferentes regiões do Brasil, considerando a evolução do clima e risco de queimadas. Para tanto, foram mapeados os meses mais críticos para o fogo e as ações de mobilização necessárias para combatê-lo em 23 meso-regiões.

Manejo do fogo

Além da portaria, foi apresentada resolução que define orientações para a elaboração de Planos de Manejo Integrado do Fogo (PMIF) em diferentes níveis, do poder público a propriedades rurais, estabelecendo responsabilidades entre entes federados e setor privado. O objetivo é compartilhar a responsabilidade das ações.

A resolução torna obrigatório o PMIF para Unidades de Conservação consideradas de risco e imóveis rurais onde ocorrem queimadas controladas para fins agropecuários. Os estados têm até dois anos para elaborar seus PMIFs, que devem abranger a totalidade do seu território ou as regiões de maior risco de incêndios florestais.

“Trata-se de uma ação organizada do poder público para medir o risco antes que o desastre ocorra. Isso exige planejamento e monitoramento por parte dos governos. É um conjunto de medidas que contribuirá para reduzir o risco de incêndios florestais pelo país”, ressaltou o secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco.

Recursos para estados e municípios

Também foi citada a Medida Provisória (MP) nº 1.276, que reforça o alcance do Ibama e demais órgãos de fiscalização e, principalmente, viabiliza apoio financeiro a estados e municípios para combate aos incêndios, agilizando o acesso a recursos do Fundo Nacional do Meio Ambiente.

Além disso, os representantes do MMA pontuaram a aprovação, pelo Fundo Amazônia, da destinação de recursos para o fortalecimento dos Corpos de Bombeiros dos estados do Pará, Amapá, Amazonas, Roraima, Maranhão e Mato Grosso.

Cada um vai receber R$ 45 milhões, de um total de R$ 405 milhões de recursos não reembolsáveis disponíveis para o apoio às corporações que combatem incêndios. Os estados do Acre e de Rondônia também tiveram operações contratadas nos valores de R$ 21,7 milhões e R$ 34 milhões, respectivamente.

Outras ações

De acordo com o MMA, o planejamento, que envolve Ibama e ICMBio, conta ainda com o emprego de 231 brigadas florestais federais: 116 do Ibama, com 2.600 brigadistas, e 115 do ICMBio, com 1.758 brigadistas. A eles se somam 250 servidores efetivos dos dois órgãos, totalizando 4.608 profissionais.

As medidas incluem a ampliação do monitoramento diário dos incêndios das áreas queimadas; desenvolvimento do Sistema de Informações sobre Fogo (Sisfogo); lançamento de seis novos manuais de prevenção e combate a incêndios florestais por parte do Ibama e o resgate de fauna afetada pelos incêndios.

 

LEIA MAIS:

Com Terra mais quente, queimadas serão mais comuns e mais fortes

Senado aprova R$ 514,5 mi para combate a queimadas

Amazônia, Cerrado e Pantanal respondem por 95% das queimadas

Brasil registra 900 focos de queimadas em seis dias de 2025

Após ano crítico, Pantanal ganha plano de combate à queimadas e desmatamento

Queimadas elevam risco de perdas na próxima safra

42% dos brasileiros se sentiram afetados por queimadas, diz estudo

Entidades empresariais pedem articulação contra queimadas

AGU cobra R$ 89 mi de acusados de causar queimadas na Amazônia

Com seca e queimadas demanda por seguro pecuário cresce 27%