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Maior desmatador derrubou 28 campos de futebol por dia, diz PF

Maior desmatador derrubou 28 campos de futebol por dia, diz PFDinheiro, ouro e armas foram apreendidos no dia 3/8. Foto: Polícia Federal

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O pecuarista Bruno Heller, que foi preso no último dia 3/8,  teria desmatado 28 hectares por dia, o equivalente a 28 campos de futebol, em um período de apenas três meses, de acordo com a Polícia Federal. Ele é acusado de ser o maior devastador da Amazônia.

A devastação ocorreu em uma fazenda localizada em um corredor ecológico próximo a áreas de conservação e terras indígenas no interior do Pará, segundo O Globo. O desmatamento total de 2.710 hectares foi registrado pela Polícia Federal entre 15 de março e 17 de junho de 2021.

A investigação indica que uma ação de tal magnitude em um período tão curto só seria viável com a utilização de um grande contingente de trabalhadores (cerca de 60) para derrubar a vegetação. O relatório da PF sobre as atividades do pecuarista, ao qual o jornal teve acesso, detalha que para atingir essa taxa de desmatamento, são necessários recursos financeiros consideráveis, maquinário e pessoal.

De acordo com as investigações, a recuperação da área devastada pelo pecuarista demandará um investimento estimado em R$ 116 milhões. Atualmente, as autoridades judiciais estão buscando obter esse montante por meio do confisco de 16 fazendas e de dez mil cabeças de gado.

Multas milionárias

De acordo com levantamento do jornal junto ao Ibama, o pecuarista investigado possui mais de R$ 12 milhões em multas aplicadas entre 2006 e 2021, principalmente relacionadas a destruição de florestas. A Polícia Federal alega que ele e seu grupo criaram um esquema para evitar as autuações e continuar com atividades lucrativas de criação de gado e extração de madeira.

“O modus operandi do grupo consiste em realizar o cadastro de áreas contíguas às suas em nome de terceiros, notadamente, parentes próximos. A partir de então, a área acaba sendo desmatada para a implementação do rebanho bovino. Tal estratégia objetiva burlar a persecução penal e administrativa (multas ambientais), de modo a que qualquer imputação acabe recaindo sobre pessoas sem patrimônio”, diz o relatório da PF.

Bruno Heller é acusado de associação criminosa; invasão de terras da União (grilagem); desmatamento, exploração ou degradação de floresta sem autorização das autoridades; e declaração falsa ou omissão em documentos públicos ou privados.

Solto após pagar fiança

No dia seguinte à prisão, Bruno Heller foi libertado pela Justiça de Itaituba (PA), mediante pagamento de fiança e o compromisso de se apresentar à Justiça Federal a cada dois meses.

A Polícia Federal chegou a pedir a prisão temporária do investigado, porém o juiz federal Maurício José de Mendonça Júnior indeferiu o pedido. A defesa do pecuarista informou ao jornal que está trabalhando para provar sua inocência.