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Pressão na UE e regras no Brasil cobram novo manejo no agro

Pressão na UE e regras no Brasil cobram novo manejo no agroDebate sobre agrotóxico avança no Brasil. Foto: Cenipa/Divulgação

Lista traz classificação de pragas com maior risco fitossanitário
Registro de agrotóxicos tem novos critérios
Brasil figura entre líderes em aumento de risco por agrotóxicos

Resumo

  • A União Europeia avança com propostas de tolerância zero para resíduos de agrotóxicos de alta perigosidade em produtos importados.
  • Brasil e outros 18 países acionaram a Organização Mundial do Comércio, defendendo critérios científicos de risco e prazos viáveis para evitar o encarecimento de alimentos.
  • No Brasil, os ministérios do Meio Ambiente e Saúde, junto ao Ibama e Anvisa, propõem mapear 39 Agrotóxicos Altamente Perigosos (AAP) para incentivar o uso de defensivos biológicos.
  • A medida nacional busca orientar políticas públicas sem proibições imediatas, mas gera preocupação no setor produtivo quanto aos custos de substituição das moléculas.
  • A convergência entre exigências internacionais e políticas internas sinaliza que a redução de agrotóxicos exige investimentos em inovação, manejo sustentável e insumos biológicos para manter a competitividade do agro.

 

O agronegócio brasileiro vive um momento decisivo para o futuro de suas práticas agrícolas. De um lado, a União Europeia (UE) avança em regras para dificultar a entrada de alimentos e matérias-primas com resíduos de agrotóxicos no bloco; de outro, o governo brasileiro estuda identificar produtos quimicamente mais agressivos para orientar uma transição gradual no campo.

No cenário internacional, a Comissão Europeia propõe zerar a tolerância para resíduos de substâncias consideradas de alta perigosidade nas lavouras. A mudança busca responder às exigências por alimentos mais seguros e a pressões por práticas produtivas equilibradas.

Embora traga desafios imediatos para os embarques brasileiros, o movimento sinaliza que a adequação socioambiental passou a ser pré-requisito no comércio global.

O Brasil e outros 18 países exportadores acionaram a Organização Mundial do Comércio (OMC), defendendo que a transição ocorra com prazos viáveis e base científica de risco, para evitar o encarecimento de alimentos básicos como café e farelo de soja no mercado europeu.

Paralelamente, o debate avança dentro do Brasil. Uma proposta dos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde, Ibama e Anvisa visa mapear uma lista de Agrotóxicos Altamente Perigosos (AAP). A medida abrange 39 substâncias e visa impulsionar as metas do Programa Nacional de Redução de Uso de Agrotóxicos (Pronara). A ideia principal é direcionar incentivos para o uso de biológicos e técnicas que protejam o solo e a saúde de quem aplica o produto no campo.

O objetivo do governo não é proibir de imediato ou criar barreiras para o registro dessas substâncias. Mesmo assim, a medida provocou reação na agricultura e na indústria de defensivos.

Embora o setor produtivo alerte para os impactos econômicos imediatos e o custo da substituição de moléculas tradicionais, a convergência entre as exigências externas e as políticas internas deixa evidente que a redução do uso de produtos de agrotóxicos não é apenas uma tendência, mas um caminho inevitável.

Para manter sua liderança global, o agro brasileiro precisa entender que, para a lavoura continuar rentável e valorizada, passa pelo investimento em inovação, novos biológicos e boas práticas de manejo.