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SEEG lança plano para cortar emissões de metano no Brasil

SEEG lança plano para cortar emissões de metano no BrasilAgropecuária responde por 75,8% de todo o metano emitido no País. Foto: CNA

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Resumo

  • O caderno do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) traz 37 recomendações para reduzir as emissões de metano no Brasil.
  • Para a pecuária, o maior vetor de emissão de metano do Brasil, o documento inclui 15 propostas, incluindo abate precoce, melhoramento genético, aditivos na ração, recuperação de pastagens, crédito sustentável e sistemas integrados.
  • O combate às queimadas é apontado como a principal ação no uso da terra. A seca intensificada pelo El Niño eleva o risco de incêndios no Centro-Oeste, exigindo manejo preventivo do fogo.
  • O documento ainda traz propostas para o setor de resíduos e de energia.
  • Como 4º maior emissor de metano do mundo, o Brasil usa o plano para tentar cumprir a meta da COP26 de reduzir 30% das emissões até 2030

 

O Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) lançou nesta terça-feira, 18/8, um caderno com 37 recomendações para reduzir as emissões de metano no Brasil — e boa parte dessas medidas mira diretamente o Centro-Oeste, região que concentra cerca de 32% do rebanho bovino nacional, segundo o IBGE.

Só Mato Grosso, maior produtor do País, responde por mais de 30 milhões de cabeças de gado e lidera o abate bovino nacional, com 17,5% de participação no primeiro trimestre de 2026.

Isso porque a pecuária é, disparada, o maior vetor de emissão de metano do Brasil: o setor agropecuário responde por 75,8% de todo o metano emitido por aqui, e mais de 90% desse volume vem da criação de gado. Em 2024, o País lançou 15,7 milhões de toneladas do gás na atmosfera — a maior parte gerada justamente nas regiões com maior concentração de rebanho, caso do Centro-Oeste.

Quais são as propostas

Das 37 ações propostas pelo SEEG, 15 são voltadas especificamente à agropecuária — a categoria mais numerosa do documento. Entre as medidas sugeridas estão recuperação de pastagens degradadas, adoção de sistemas integrados de produção, ajuste na idade de abate dos animais, melhoramento genético dos rebanhos e uso de aditivos que reduzem a produção de metano durante a digestão bovina.

O caderno também recomenda zoneamento para planejamento territorial mais eficiente, ampliação da assistência técnica e criação de linhas de crédito voltadas a práticas menos poluentes — pontos que tendem a impactar diretamente o planejamento de propriedades no Centro-Oeste, onde a pecuária é atividade central da economia regional.

Confira todas as propostas para o setor:

  • Zoneamento aplicado ao planejamento territorial
  • Transferência de tecnologias conservacionistas
  • Assistência técnica e extensão rural
  • Crédito para práticas agropecuárias conservacionistas
  • Consumo de alimentos de menor emissão
  • Recuperação e manutenção de pastagens
  • Sistemas integrados e práticas conservacionistas
  • Redução da idade ao abate
  • Aditivos para redução do metano entérico
  • Melhoramento genético de bovinos
  • Eficiência zootécnica do rebanho
  • Eficiência alimentar na bovinocultura
  • Redução da queima agrícola
  • Manejo de arroz irrigado
  • Manejo de resíduos da produção animal

Incêndios também entram na conta

O documento destaca ainda o combate a incêndios florestais como a ação de maior impacto no setor de Mudanças de Uso da Terra e Florestas, hoje ligado principalmente a queimadas associadas ao desmatamento.

Em 2024, essas queimadas foram responsáveis por 1,14 milhão de toneladas de metano — e o SEEG estima que outro 1,01 milhão de toneladas tenha sido emitido apenas por incêndios em vegetação nativa, número que ainda não entra nos inventários oficiais do governo.

O alerta ganha peso adicional porque o Brasil enfrenta neste momento um El Niño forte já consolidado no Pacífico, fenômeno que tende a deixar regiões como o Centro-Oeste mais secas e mais vulneráveis a queimadas nos próximos meses.

“À medida que as mudanças climáticas tornam os períodos de seca mais longos e intensos e ampliam o risco de incêndios, investir em prevenção, monitoramento e manejo integrado do fogo passa a ser uma estratégia de adaptação climática”, diz Bárbara Zimbres, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e integrante do SEEG.

De acordo com ela, medidas voltadas ao metano têm potencial de gerar resultado rápido, já que o gás tem meia-vida mais curta na atmosfera do que o CO2.

Outros setores

O caderno dedica 12 propostas ao setor de resíduos, com foco em reduzir a geração de lixo, encerrar lixões e ampliar a coleta seletiva. Já o setor energético recebe cinco recomendações, voltadas principalmente à redução de vazamentos de metano na cadeia de petróleo e gás e à transição para tecnologias de menor emissão.

Brasil ainda distante da meta

O Brasil é hoje o quarto maior emissor de metano do mundo, atrás de China, Estados Unidos e Índia. Mesmo após aderir ao Compromisso Global do Metano na COP26, em 2021 — que prevê corte de 30% das emissões até 2030 —, o país segue distante da meta.

O novo caderno do SEEG busca detalhar o caminho técnico para reverter essa trajetória.

Saiba mais

O que é  o gás metano?

Ele é produzido principalmente pela decomposição de matéria orgânica na ausência de oxigênio. Isso acontece em pântanos, aterros sanitários e, de forma muito expressiva, no sistema digestivo de animais ruminantes (como bois e ovelhas) durante o processo de digestão de plantas.

O metano é o principal componente do gás natural e do biogás. Por ser altamente inflamável, ele é amplamente utilizado como fonte de energia para gerar eletricidade, aquecimento e como combustível veicular (GNV).

Na atmosfera, o metano é um poderoso gás de efeito estufa. Embora ele permaneça menos tempo no ar do que o dióxido de carbono, ele tem uma capacidade muito maior de reter o calor do sol no curto prazo, sendo um dos focos centrais nas discussões sobre o aquecimento global e as mudanças climáticas.

 

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