O Tocantins tem sido apontado como referência nacional em regularidade ambiental e produção sustentável. Durante o Fórum Agro & Meio Ambiente, realizado em Palmas, foram divulgados dados que demonstram que o estado conseguiu dobrar a média nacional de desmatamento autorizado, alcançando 59,6% de legalidade nas áreas convertidas entre 2019 e 2024, segundo dados do MapBiomas.
Com a participação de autoridades e do setor produtivo, o encontro destacou que o uso de inteligência territorial e tecnologia tem sido a chave para equilibrar o crescimento econômico do agronegócio com a preservação rigorosa dos recursos naturais.
O secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Marcello Lelis, afirmou que os avanços na conservação da vegetação nativa são fruto de uma atuação conjunta entre órgãos públicos e produtores rurais.
A gestão estadual reforçou que o desenvolvimento do campo deve caminhar lado a lado com a responsabilidade ambiental, garantindo rentabilidade sem comprometer o ecossistema. Esse cenário de conformidade é ainda mais visível na região do Matopiba, onde o Tocantins lidera com 81,9% de cobertura de fiscalização e autorização sobre as áreas desmatadas.
O secretário ressaltou que a análise dos dados ambientais no estado é feita de forma qualificada para diferenciar áreas autorizadas, áreas fiscalizadas, indícios de ilegalidade, cicatrizes de fogo e falsos alertas.
Esse trabalho de precisão é garantido pelo Centro de Inteligência Geográfica em Gestão do Meio Ambiente (Cigma).
Reservas legais e nascentes
Além disso, o setor agropecuário foi apontado como protagonista na preservação de reservas legais e nascentes, mostrando-se alinhado à legislação vigente.
Dados do sistema Deter, analisados no início de 2026, confirmam essa tendência: apenas 18,4% dos alertas de desmatamento apresentaram possíveis indícios de ilegalidade, enquanto os demais foram identificados como ações autorizadas ou fenômenos naturais.
No entanto, o fogo ilegal ainda é o maior desafio, atingindo em 2025 uma área 53 vezes maior que a do desmatamento irregular. Os incêndios causam prejuízos diretos à produtividade e à logística das propriedades rurais, exigindo uma agenda de união entre o poder público e a sociedade civil.
Para enfrentar o problema das queimadas, o Governo do Tocantins anunciou um aumento de 52% nos investimentos do Plano Integrado de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, saltando para R$ 26 milhões em 2026.
Os esforços já apresentam resultados práticos, com uma redução de 34% na área queimada entre 2024 e 2025. O evento contou também com a contribuição técnica de Gustavo Spadotti, da Embrapa Territorial, que apresentou o estudo de caso “Produção e Preservação no Tocantins”, reforçando o compromisso do estado com a produção responsável.

