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Bloqueio nas estradas paralisa frigoríficos de Mato Grosso

Bloqueio nas estradas paralisa frigoríficos de Mato Grossotodos os frigoríficos do Estado estão afetados. Foto: Agência Brasil

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O setor de carnes, leite e o abastecimento de supermercados já são os principais afetados com os bloqueios de estradas em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e contra o resultado das eleições. Os protestos começaram na noite de domingo, 30/10.

De acordo com reportagem da BBC News Brasil,  frigoríficos do Mato Grosso estão parcialmente parados, devido à dificuldade de transporte de animais vivos para abate, de acordo com representante do setor.

No setor de lácteos, a Viva Lácteos (Associação Brasileira de Laticínios) afirma que há dificuldade tanto de suprimento de insumos, como de escoamento da produção.

Já a Abras (Associação Brasileira de Supermercados), em nota, pediu apoio de Bolsonaro, ao informar  que supermercadistas já começam a enfrentar dificuldades de abastecimento.

Frigorificos

“A gente tem abates diários e dependemos de transporte diário para a produção. Desde ontem [segunda-feira, 31/10] não conseguimos transitar, então a indústria está literalmente parada neste momento”, disse à BBC News Brasil um representante do setor de frigoríficos do Mato Grosso, que pediu para não ser identificado por temor de represálias.

 

Líder no abate de bovinos no Brasil, O Estado do Mato Grosso representa 16% da produção nacional, seguido por Mato Grosso do Sul (11,3%) e São Paulo (11%), segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

“Hoje ainda há produção daquilo que chegou ontem da nossa matéria-prima que é o boi, cujo transporte é feito diariamente do pasto e dos confinamentos para a indústria. Esse transporte está bloqueado, assim como está bloqueado o transporte do produto final para os grandes centros.”

O porta-voz da indústria diz que todos os frigoríficos do Estado estão sendo afetados.

“Estão todos parcialmente parados, com pelo menos uns 50% da produção comprometida, no mínimo”, afirma.

O representante dos frigoríficos afirma que os bloqueios por motivação política, “são danosos para a economia,  não tem explicação lógica ou fundamentação jurídica”.

Para ele, Bolsonaro precisa vir a público para pôr fim aos bloqueios.

“Se ele é o motivo [dos protestos] e se a ausência dele promove a desordem, é obrigação dele se pronunciar”, diz o representante

Lácteos

“Há relatos de problemas de distribuição por causa das rodovias bloqueadas e começam a haver relatos de problemas de suprimento. Mas esperamos que, dentro em breve, com as ações que estão acontecendo, a gente consiga ter uma solução disso da melhor maneira possível”, afirma Gustavo Beduschi, diretor executivo da Viva Lácteos (Associação Brasileira de Laticínios),

Segundo ele, o setor de leite é sempre um dos primeiros a ser afetados quando ocorrem paralisações das estradas pois a coleta nos produtores é feita de forma diária.

“Temos que rodar diariamente para coletar leite. E o derivado, mesmo sendo processado na indústria, dependendo do produto, não tem um tempo de prateleira grande. Por isso é necessário escoar logo a produção, se fica parado, vai complicando”, afirma.

Beduschi faz um alerta.

“Se isso se prolonga e começa a ter problema de distribuição, é o abastecimento para a população [que é afetado]. E estamos falando de alimento. Mas trabalhamos com foco em uma solução o mais rápido possível, com o menor estresse possível”, conclui.

Alimentos

A Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos) informou em nota que “segue monitorando os possíveis impactos com atenção e preocupação, pois garantir o abastecimento de alimentos para a população brasileira é prioritário”.

“Lembramos que as operações de produção, distribuição, comercialização e entrega de alimentos e bebidas foram consideradas atividade essencial pelo governo federal em 2020. É fundamental, portanto, que haja a livre circulação de caminhões e veículos privados ou coletivos que transportem colaboradores da indústria de alimentos e bebidas, bem como insumos e produtos acabados para abastecer os varejos e os estabelecimentos de alimentação, assegurando, desta forma, o bem-estar da sociedade”, diz a nota da associação do setor de alimentos.

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