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Ofensiva contra JBS na Bolsa de NY trava planos da empresa

Ofensiva contra JBS na Bolsa de NY trava planos da empresaMovimentos acusam grupo de danos ambientais. Foto: JBS/ Divulgação

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A vida da JBS não está fácil. Há mais de uma década a maior produtora de proteína animal do mundo tenta listar suas ações na Bolsa de Nova York. Mas, depois de envolvimento em escândalos de corrupção, agora são as falhas gritantes nos anunciados compromissos ambientais e climáticos do grupo brasileiro que o afastam cada vez mais desse objetivo.

Uma série de movimentos liderados por políticos e lobistas no exterior acusam a JBS de causar danos ambientais, estar envolvida em casos de corrupção e que, por isso, a companhia não deve ter acesso ao mercado de capitais dos Estados Unidos para se expandir, relata o Estadão. Recentemente a empresa foi acusada de greenwashing pela procuradoria-geral de Nova York.

Entre os movimentos internacionais que se colocam contra a listagem da JBS na bolsa estão os capitaneados por parlamentares dos EUA e do Reino Unido, além de um batizado de “Ban the Batistas” (banir os Batistas, em Português, uma referência aos irmãos Wesley e Joesley Batista, da família fundadora da companhia). Os financiadores do “Ban the Batistas” não são conhecidos, mas o movimento contratou um escritório de lobby em Washington para atuar contra a empresa.

Em janeiro, 12 parlamentares do Reino Unido, de diferentes partidos, mandaram uma carta à comissão de valores mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em Inglês) na qual “imploram para que o pedido de IPO da JBS seja rejeitado” e que, assim, seja enviada uma “mensagem clara de que os EUA permanecem firmes em seu compromisso de combater as mudanças climáticas”. No Reino Unido, a JBS atua por meio da marca Pilgrim’s Pride Corporation, que detém unidades de processamento de suínos e aves.

O problema central da JBS apontado pelos políticos britânicos é a criação de gado por seus fornecedores em região de floresta. Eles afirmam que a listagem da empresa em Nova York poderia resultar em uma alta do desmatamento.

E a pressão não é apenas política. Segundo Lauro Jardim, n’O Globo, o escritório Rosen Law Firm, que processou a JBS em 2017 após a operação Carne Fraca, de combate à venda de carne irregular, prepara uma nova ação coletiva contra a empresa por possíveis perdas de investidores resultantes de um “falso marketing ambiental”. Os advogados vislumbram recuperar prejuízos decorrentes de propagandas da JBS que minimizam seu impacto ambiental com alegações inverídicas de sustentabilidade para impulsionar vendas.

A JBS foi uma das mais de 100 companhias removidas de um processo de validação de seus planos climáticos por não apresentarem metas suficientemente ambiciosas. O grupo de empresas banidas inclui ainda Microsoft e Unilever, relata o Financial Times, em matéria traduzida pela Folha.

A Iniciativa de Metas Baseadas na Ciência (SBTi, sigla em Inglês), órgão de padronização apoiado por uma coalizão de organizações sem fins lucrativos, tem verificado essas metas para determinar se estão alinhadas com o objetivo global de limitar o aquecimento a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, como estabelecido no Acordo de Paris. Mas muitas empresas, como a JBS, foram forçadas a revisar seus planos no final de 2023, marcando o fim de um prazo de dois anos. Isso levou à sua remoção do processo de aprovação pela SBTi.