Resumo:
- A projeção para a safra brasileira de grãos 2026/27 é de 366,6 milhões de toneladas, com o plantio da soja já em andamento em estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
- A primavera (que começa em 22/09) traz previsões de chuva abaixo da média no Centro-Norte e excesso no Sul, sob forte influência do El Niño e de outros oceanos.
- Mato Grosso e norte de Goiás enfrentarão calor com desvios de até 2 °C e chuvas irregulares entre outubro e dezembro. O foco principal é a umidade do solo para evitar semeaduras prematuras seguidas de seca e altos custos de replantio. O monitoramento é essencial para preservar a janela do milho segunda safra e do algodão.
- O sul de Mato Grosso do Sul e o sul de Goiás apresentam condições mais favoráveis com chuvas acima da média.
- No Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), a previsão aponta volumes de chuva inferiores ao padrão histórico, o que pode atrasar o plantio em áreas de sequeiro; altas temperaturas elevam o consumo de água nas lavouras irrigadas. Recomenda-se o acompanhamento rigoroso do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para evitar plantios precipitados.
A safra brasileira de grãos 2026/27 tem projeção para alcançar um novo recorde histórico de 366,6 milhões de toneladas, mas o início do plantio da soja — que já avança em estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul — esbarra em um cenário climático desafiador.
Com a chegada da primavera nesta terça-feira, 22/9, regiões produtoras estratégicas como o Centro-Oeste e o Matopiba enfrentam o desafio de conciliar altas temperaturas, irregularidade de chuvas e a gestão rigorosa da umidade do solo para garantir o sucesso das lavouras sem correr riscos de replantio.
O plantio começa sob um dos cenários climáticos mais contrastantes dos últimos anos. Prognóstico divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indica chuva abaixo da média no Centro-Norte do País e excesso de precipitação no Sul durante a primavera.
O El Niño deverá exercer forte influência, mas não será o único fenômeno capaz de determinar onde, quando e com qual intensidade vai chover — fatores como o Atlântico e o Oceano Índico também entram na equação.
Enquanto áreas do sul de Mato Grosso do Sul e do sul de Goiás apresentam condições mais favoráveis com expectativa de chuvas acima da média, o cenário no centro-norte da região exige cautela:
- Calor e irregularidade: Em Mato Grosso, no norte de Goiás e no centro-norte mato-grossense, a tendência para o trimestre (outubro a dezembro) é de temperaturas elevadas — com desvios de até 2 °C — e chuvas abaixo da média ou com distribuição irregular.
- O risco da umidade no solo: A principal preocupação do produtor não é apenas saber se vai chover, mas se haverá água suficiente armazenada no perfil do solo para garantir a germinação. Pancadas isoladas podem molhar apenas a superfície e induzir a uma semeadura prematura, seguida por dias de calor intenso e seca, elevando os custos com replantio.
- Janela de plantio: O escalonamento da semeadura e o monitoramento rigoroso da umidade são fundamentais para não comprometer a janela do milho segunda safra e do algodão.
Situação no Matopiba
Formado pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, o Matopiba também enfrenta um início de estação marcado pela instabilidade climática:
- Irregularidade das chuvas: A previsão oficial indica volumes inferiores ao padrão histórico e maior variabilidade nas precipitações, o que pode atrasar a abertura oficial do plantio em diversas áreas de sequeiro.
- Demanda hídrica: Nas lavouras irrigadas, as temperaturas mais altas elevam o consumo de água pelas plantas. Nas áreas dependentes de chuva, o maior risco reside na grande diferença de volumes registrados entre localidades próximas ou até dentro de uma mesma fazenda.
- Recomendações técnicas: Órgãos de meteorologia reforçam a necessidade de acompanhar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e evitar o plantio precipitado diante de chuvas passageiras.

