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Chuva irregular muda a forma de plantar soja em Mato Grosso

Chuva irregular muda a forma de plantar soja em Mato GrossoMedidas podem ajudar o produtor a reduzir a exposição aos efeitos do clima. Foto: CNA

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Resumo:

  • A irregularidade das chuvas tem levado sojicultores de Mato Grosso a antecipar a semeadura da safra 2026/27 dentro da janela permitida e a plantar a área em etapas, segundo o superintendente do Imea, Cleiton Gauer.
  • A semeadura alcançou 1,15% da área estimada até sexta-feira (18), 0,60 ponto percentual acima do mesmo período da safra passada, segundo o Informe de Semeadura do Imea.
  • O seguro rural e culturas de menor demanda hídrica na segunda safra, como gergelim e sorgo, também passam a integrar a gestão de risco, de acordo com Gauer.
  • O oeste lidera o plantio, com 2,19% da área semeada, seguido do médio-norte (2,16%) e do norte (1,44%); no Vale do Guaporé, a semeadura não havia começado.
  • Em anos de El Niño mais intenso, o atraso na soja pressiona o calendário do milho segunda safra, cuja área passou de cerca de 4 milhões para 7,5 milhões de hectares (ha) em dez anos, segundo Gauer.

Por André Garcia

A irregularidade das chuvas tem levado o sojicultor de Mato Grosso a mudar a forma de plantar na safra 2026/27: a antecipação da semeadura dentro da janela permitida e o plantio dividido em etapas são algumas das táticas adotadas para reduzir o risco climático. Com El Niño no horizonte, a cautela também leva em conta o milho segunda safra, cuja semeadura depende da colheita da soja.

De acordo com o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer, os produtores têm trabalhado principalmente com a janela.

“Temos visto produtores adotando estratégia, não só aqueles que têm uma problemática com o parque de máquinas, mas também porque temos visto muito a famosa ‘chuva de manga’, em que uma faixa recebe um volume de chuva muito maior e, às vezes, cinco ou dez quilômetros à frente não cai uma gota”, explicou.

Na prática, o produtor começa a semear assim que abre o calendário, em vez de esperar as chuvas se estabilizarem. A área também deixa de ser plantada de uma vez, evitando que toda a lavoura dependa da mesma chuva.

Cleiton ressalta ainda que outras ferramentas começam a fazer parte dos métodos de gestão de risco, como o seguro rural e a diversificação de culturas na segunda safra.

Gergelim e sorgo, por exemplo, aparecem como alternativas com menor demanda hídrica em determinadas situações. Para o superintendente, a combinação dessas medidas pode ajudar o produtor a reduzir a exposição aos efeitos de eventuais alterações no regime de chuvas.

El Niño e a atenção para as lavouras

O cenário climático para os próximos meses também exige atenção.Gauer ressalta que os efeitos mais relevantes de um El Niño de maior intensidade podem aparecer no calendário do milho, principalmente caso haja atraso na soja e, consequentemente, redução da janela disponível para o cultivo do cereal.

“Quando nós falamos em início de plantio, a palavra destaque seria cautela. É preciso ter uma condição ideal, com uma previsibilidade de que haverá mais chuvas nos próximos dias após a semeadura”, afirmou.

Ele lembra que, em anos de El Niño mais intenso, o histórico do estado registra impactos sobre a produtividade do milho segunda safra. Isso pode ocorrer tanto pelo atraso na semeadura da soja, que pressiona o calendário do milho, quanto pela antecipação do fim do período chuvoso.

“Dez anos atrás eram cerca de 4 milhões de hectares e hoje já são 7,5 milhões. Qualquer percentual de área que fique fora da janela representa um volume significativo de produção em risco”, diz Cleiton ao destacar que o aumento da área cultivada amplia os prejuízos causados por eventuais problemas climáticos.

Oeste lidera início da semeadura

A semeadura da soja da safra 2026/27 começou em Mato Grosso e alcançou 1,15% da área estimada até esta sexta-feira, 18/9, segundo o Informe de Semeadura divulgado pelo Imea). O percentual está 0,60 ponto percentual acima do registrado no mesmo período da temporada passada.

Os primeiros trabalhos se concentram nas regiões onde as condições de umidade permitiram a entrada das máquinas. A oeste lidera o avanço, com 2,19% da área semeada em Sapezal e Campo Novo do Parecis. No médio-norte, a taxa é de 2,16%, e no Norte chegaram a 1,44%, alavancados pelos municípios próximos à BR-163.

Por outro lado, no Sudeste, 0,26% da área já foi semeada, principalmente em áreas irrigadas e de produtores que cultivam algodão, enquanto no o Vale do Guaporé, a semeadura ainda não havia começado até a data do levantamento. A expectativa é que a semeadura avance a partir desta semana, diante da previsão de chuva.

Saiba mais

Janela de plantio – É o período em que a semeadura da soja é permitida ou recomendada. Ela tem duas referências. A primeira é o calendário de semeadura definido pelo Ministério da Agricultura e fiscalizado em Mato Grosso pelo Indea. Esse calendário começa depois do vazio sanitário, intervalo sem plantas vivas de soja no campo que serve para reduzir a ferrugem asiática. A segunda é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que indica, por município, os períodos de menor risco climático para cada cultura. Seguir o Zarc é condição para acessar o Proagro e a subvenção ao prêmio do seguro rural.

 

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