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Projeção de crescimento do Brasil deve ficar abaixo da média global de 4,5% para 2022

Projeção de crescimento do Brasil deve ficar abaixo da média global de 4,5% para 2022

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A economia brasileira deverá crescer 5% em 2021, mas, no ano que vem, o Produto Interno Bruto (PIB) do País deve aumentar apenas 1,4%, avalia a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), no mais recente relatório trimestral de perspectivas econômicas, divulgado nesta quarta-feira, 1/12. Para a entidade, a economia global segue em recuperação, mas a retomada ocorre de maneira desigual entre países e grupos sociais.

De acordo com a OCDE, no Brasil, “o ritmo da campanha de vacinação acelerou e a atividade econômica, sustentada pelo consumo e pelo investimento privados, retomou com a diminuição das restrições”.

“As exportações têm se beneficiado da recuperação global e de uma taxa de câmbio mais fraca. No entanto, os gargalos na oferta, um baixo poder aquisitivo, as taxas de juros mais altas e as incertezas de política econômica desaceleraram o ritmo da recuperação. O mercado de trabalho tem se recuperado com um certo atraso e o desemprego permanece acima dos níveis pré-pandemia”, diz a nota

A expansão do PIB brasileiro deverá ficar pouco abaixo da média de crescimento da economia mundial neste ano, projetada em 5,6%, e poderá ser bem inferior à média global em 2022, estimada em 4,5%, de acordo com a organização.

De acordo com a entidade, a inflação aumentou significativamente nos últimos meses, levando o Banco Central a aumentar a taxa de juros de 2% para 7,75%. A projeção é que o aperto contínuo da política monetária ao longo de 2022 contenha a dinâmica da inflação e mantenha ancoradas as expectativas de inflação. As reformas fiscais também podem desempenhar um papel importante na contenção das pressões inflacionárias.

O documento destaca que reforçar as regras fiscais aumentaria a confiança do mercado sobre o compromisso do governo de manter finanças sustentáveis.

“Gastos públicos mais eficientes criariam espaço fiscal para políticas que estimulem o crescimento e um programa de proteção social mais inclusivo”, afirma o relatório.

A OCDE alerta que um dos fatores de  risco de baixa para a previsão para 2022 é a crise hídrica, que  pode durar mais tempo e exigir racionamento de energia elétrica, resultando em inflação persistente e perspectivas de crescimento menores.

“A incerteza política prolongada e o aumento do risco fiscal podem minar a credibilidade das
regras fiscais, desancorar as expectativas de inflação e reduzir o crescimento do investimento”, diz o relatório

Mundo

No documento, a entidade com sede em Paris cortou levemente a previsão para o crescimento do PIB mundial em 2021, de 5,7% a 5,6%, mas manteve a projeção para a expansão em 2022 em 4,5%. A instituição estima ainda que a atividade econômica do planeta crescerá 3,2% em 2023.

No caso dos Estados Unidos, a OCDE também reduziu a estimativa de avanço este ano, de 6% a 5,6%, enquanto a projeção para alta na zona do euro caiu 5,3% a 5,2%. A da China, por sua vez, recuou de 8,5% a 8,1%.

Segundo a Organização, a recuperação da crise provocada pela pandemia tem sido ameaçada por gargalos na cadeia produtiva, que causam pressões inflacionárias. A entidade prevê um salto da inflação mundial a 3,5% este ano, depois a 4,2% em 2022.

“Partes da economia global estão se recuperando rapidamente, mas outras correm o risco de ficar para trás, particularmente em países de baixa renda, onde as taxas de vacinação estão baixas, e empresas e funcionários em setores de contato intensivo onde a demanda ainda não se recuperou totalmente”, explica.

Fonte: OCDE e Estadão Conteúdo