A Rússia, principal fornecedor de fertilizantes para o mercado brasileiro, anunciou a interrupção das exportações de nitrato de amônio por um período inicial de um mês. A medida, estabelecida pelo governo russo, visa garantir o suprimento interno para os produtores locais durante a temporada de plantio no hemisfério norte, mas gera preocupação imediata nas cadeias produtivas do Brasil, que dependem fortemente da importação de insumos nitrogenados.
O nitrato de amônio é um dos fertilizantes mais utilizados no mundo devido ao seu alto teor de nitrogênio, essencial para o desenvolvimento de culturas como milho, cana-de-açúcar e pastagens. A Rússia detém uma fatia significativa da produção global, e o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, sendo o país euroasiático o seu maior parceiro comercial nesse setor.
Especialistas do setor agrícola avaliam que a suspensão, embora temporária, ocorre em um momento de vulnerabilidade logística e preços já pressionados por tensões geopolíticas e custos de energia. A interrupção do fluxo pode levar a um aumento nos preços dos insumos remanescentes no mercado brasileiro e forçar produtores a buscarem alternativas de fornecimento em países como Egito ou Argélia, que possuem menor escala de produção comparada à russa.
A decisão russa reflete uma tendência de protecionismo alimentar e de insumos, onde grandes produtores priorizam a segurança de sua própria safra em detrimento das exportações.
Para o Brasil, o cenário reforça a urgência de discussões sobre o Plano Nacional de Fertilizantes, que busca reduzir a dependência externa por meio do incentivo à produção nacional e do uso de tecnologias alternativas.
No curto prazo, empresas misturadoras de fertilizantes no Brasil devem trabalhar com seus estoques reguladores, mas a incerteza sobre a normalização das entregas russas mantém o mercado em estado de atenção máxima.

