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China reconhece Brasil como livre de febre aftosa

China reconhece Brasil como livre de febre aftosaDecisão encerra mais de 20 anos de negociações entre os países.Foto: Agência Brasil

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Resumo

  • A China anunciou o reconhecimento de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa, encerrando mais de 20 anos de negociações bilaterais.
  • Estados além de Santa Catarina (como Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Goiás) agora podem exportar carne suína com osso e miúdos externos. A estimativa é de um incremento de 40 mil toneladas anuais nesses embarques.

  • O novo status sanitário, somado ao reconhecimento recente para o mal da vaca louca, deve acelerar a inclusão de carne bovina com osso e miúdos no protocolo de exportação, além de abrir portas para o comércio de cálculo biliar.

  •  As exportações de couro wet blue para o mercado chinês deixam de exigir o Certificado Sanitário Internacional (CSI), facilitando o fluxo de 90 plantas habilitadas.

Em uma decisão histórica após mais de duas décadas de negociações, o governo da China anunciou o reconhecimento do status sanitário de todo o território brasileiro como livre de febre aftosa. A medida chancela internacionalmente o sistema de defesa agropecuária do Brasil, que já havia sido reconhecido como zona livre da doença sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

 “Iniciamos 2026 com o reconhecimento, pela China, do status de país livre de encefalopatia espongiforme bovina (EEB) para a carne bovina brasileira e, agora, recebemos com grande satisfação a notícia do reconhecimento do status de livre de febre aftosa sem vacinação. Esse reconhecimento sanitário é fundamental para avançarmos nas discussões técnicas relacionadas a diversos produtos das cadeias bovina e suína, permitindo a diversificação do portfólio exportado e contribuindo para melhorar o desempenho econômico dessas cadeias produtivas”, destacou o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, Carlos Goulart.

Os efeitos da decisão serão imediatos e significativos, principalmente para para a suinocultura. Até então, apenas o estado de Santa Catarina possuía essa autorização específica junto aos chineses.

Com a mudança, frigoríficos já habilitados em estados como Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Goiás poderão solicitar a ampliação de escopo para enviar carne suína com osso e miúdos externos. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a expectativa é de um aumento superior a 40 mil toneladas anuais nos embarques do setor.

Além do mercado de suínos, o novo panorama traz forte otimismo para a cadeia de carne bovina. Entidades como a Abiec e a Abrafrigo destacaram que a medida traz maior previsibilidade e segurança jurídica para o comércio com o país asiático — principal destino do produto brasileiro —, cujo faturamento no agronegócio geral superou os US$ 50 bilhões em 2025. O

Mapa projeta que o avanço agilizará as tratativas para incluir miúdos bovinos nas cotas de exportação e abrir o mercado de alto valor agregado para o cálculo biliar, muito demandado pela medicina tradicional chinesa.

O setor de couro wet blue também será beneficiado com o fim da exigência de certificados sanitários internacionais para o embarque de 90 plantas brasileiras