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Clima e juros deixam crédito rural mais seletivo

Clima e juros deixam crédito rural mais seletivoCntro-Oeste concentra operações de maior valor. Foto: Aprosoja/MT

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Resumo

  • O crédito rural e agroindustrial concedido a produtores pessoa física caiu 17% em 2025, com R$ 36,8 bilhões a menos no setor
  • O número de contratos cresceu 0,9%, mas o valor médio por operação encolheu, recuando de R$ 150 mil para cerca de R$ 123 mil
  • Mesmo na retração, o Centro-Oeste concentrou as maiores operações, com Mato Grosso liderando em valor médio por contrato e por produtor

Por André Garcia

O agronegócio fechou 2025 com mais contratos de crédito, mas menos dinheiro disponível. O volume concedido a produtores pessoa física caiu 17% e somou R$ 179 bilhões, mesmo com leve alta no número de operações, segundo boletim divulgado pelo Serasa Experian nesta segunda-feira, 1/6.  Foram R$ 36,8 bilhões a menos que em 2024.

Diante de juros e custos de produção em alta, além da ameaça de eventos climáticos, os bancos recuaram principalmente nas operações de maior valor. O número de novos contratos caiu quase 27% entre os grandes proprietários e 11,1% entre os pequenos, enquanto os produtores sem registro rural foram os únicos a contratar mais.

“Observamos a permanência de um ambiente mais criterioso na concessão de crédito ao longo de 2025, com instituições financeiras priorizando análises mais robustas, maiores garantias e menor apetite ao risco”, avalia o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta.

Apesar da retração no volume financeiro, o número de contratos firmados subiu 0,9%, passando de 1,44 milhão para 1,46 milhão em 2025. Com isso, o ticket médio caiu de R$ 150 mil por contrato em 2024 para cerca de R$ 123 mil em 2025, uma redução de 17,8%.

O recuo atingiu inclusive o crédito de investimento, aquele que sustenta a expansão da produção. Entre os financiamentos de mais de dois anos, geralmente ligados a investimentos como compra de máquinas e terras, o valor médio caiu 25,5%, enquanto nos de até um ano a redução foi de 11,6%.

“Esse movimento ajuda a explicar a desaceleração no volume concedido em relação ao ano anterior, mas também reflete a resiliência do mercado, com decisões mais sustentáveis no médio e longo prazo”, acrescenta Marcelo.

Centro-Oeste concentra as maiores operações

Mesmo com a retração observada no país, o Centro-Oeste continuou concentrando as operações de maior valor no setor. A região registrou os maiores tickets médios por contrato e por produtor, refletindo o perfil altamente capitalizado da agricultura local, baseada em sistemas de produção de larga escala e elevado uso de tecnologia.

Na análise das regiões agrícolas, considerando o último trimestre de 2025, o Centro-Oeste Agro se destacou com os maiores valores por contrato (R$ 396 mil) e com o maior ticket médio por CPF, que alcançou R$ 491 mil.

Mato Grosso liderou o ranking nacional. O estado apresentou ticket médio de R$ 654 mil por contrato e R$ 868,9 mil por CPF financiado, os maiores valores observados entre todas as unidades da federação.

Embora Mato Grosso tenha liderado em valor médio das operações, Minas Gerais foi o estado com a maior quantidade de registros de crédito rural e agroindustrial em 2025, seguido por Rio Grande do Sul, pelo próprio Mato Grosso, Paraná e São Paulo.

 Cenário empurra produtor para a Justiça

O ambiente mais seletivo no crédito também ocorre em um momento de aumento das dificuldades financeiras enfrentadas por parte dos produtores. O levantamento aponta que os pedidos de recuperação judicial de produtores rurais continuaram avançando ao longo do ano.

Em 2025, o número de solicitações registradas cresceu quase 51% em relação ao ano anterior, indicando um ambiente financeiro mais desafiador para parte do setor.

Saiba mais

A Serasa Experian divulgou a nova edição do Boletim Agro, que reúne indicadores de crédito, recuperação judicial e inadimplência do agronegócio, com aberturas por região, estado e porte do produtor. O levantamento se baseia em cerca de 11,3 milhões de pessoas físicas da população rural, identificadas pelo CAR ou CAFIR, por financiamentos no Cadastro Positivo no último ano ou por registro de produtor no SINTEGRA. A íntegra está disponível no site da companhia.

 

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