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Pesquisa brasileira reduz fertilizantes na soja e ganha prêmio

Pesquisa brasileira reduz fertilizantes na soja e ganha prêmioMariangela foi reconhecida por insumos biológicos para a agricultura. Foto: Empraba

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A força da agropecuária brasileira acaba de ganhar reconhecimento mundial, com o Prêmio Mundial de Alimentação 2025 (World Food Prize), conhecido como o “Nobel da Agricultura”, vencido pela pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa Soja.

Trata-se de um reconhecimento ao desenvolvimento de tecnologias com microrganismos do solo que ajudam a substituir fertilizantes químicos, com ganhos ambientais e econômicos.

Um dos destaques do trabalho da pesquisadora é a tecnologia de inoculação com bactérias fixadoras de nitrogênio, como o Bradyrhizobium, hoje aplicada em cerca de 85% da área cultivada de soja no Brasil — aproximadamente 40 milhões de hectares. Essa prática permite ao solo absorver nitrogênio diretamente da atmosfera, reduzindo a dependência de fertilizantes industriais. Em 2024, a economia gerada com a substituição parcial ou total desses insumos foi estimada em 25 bilhões de dólares.

Além do impacto econômico, o uso desses fertilizantes também traz benefícios ambientais. Somente no último ano, a redução no uso de fertilizantes nitrogenados evitou a emissão de cerca de 230 milhões de toneladas de CO₂ (dióxido de carbono) equivalente, ajudando o Brasil a manter uma das maiores taxas de adoção de práticas sustentáveis no cultivo da soja em todo o mundo.

A aplicação de insumos biológicos não se limita à soja. As pesquisas coordenadas por Mariangela também levaram à recomendação de inoculação para culturas como feijão, milho, trigo e pastagens com braquiárias, usando microrganismos como o Azospirillum brasilense. No milho, por exemplo, já é possível reduzir em até 25% o uso de adubos nitrogenados de cobertura, mantendo a produtividade e reduzindo custos e impactos ambientais.

O reconhecimento, por meio deste prêmio, reafirma o papel do Brasil de liderança mundial na agricultura, combinando produtividade com respeito ao meio ambiente. E para a região Centro-Oeste, onde estão concentradas as maiores lavouras de soja do país, a pesquisa liderada por Mariangela mostra que o futuro do agro está cada vez mais ligado à inovação e à sustentabilidade.