HomeAgriculturaProdutividade

O que esperar do clima no Centro-Oeste com a volta do El Niño

O que esperar do clima no Centro-Oeste com a volta do El NiñoSegunda safra do milho pode ser afetada com o El Niño. Foto: Embrapa

Regulamentação de bioinsumos é aprovada no Senado e vai à sanção
Abertura de novas empresas de agropecuária em MT cresce 31%
Chuva gerada por Terra Indígenas contribui com 57% da renda do agro

O setor agropecuário entra agora em um período que exige atenção redobrada no planejamento. Segundo o relatório da StoneX, o clima está entrando em uma fase de neutralidade. No entanto, o alerta está ligado para a segunda metade de 2026: há uma chance real de o El Niño voltar a ganhar força, o que pode mudar completamente o jogo para quem está no campo.

Até o meio do ano, a previsão é de “águas neutras” no oceano, com 70% de chance de o clima seguir sem o comando do El Niño ou da La Niña. Na prática, isso não significa sossego.

A analista de Inteligência de Inteligência de Mercado da StoneX, Carolina Giraldo, reforça que o aquecimento global continua mexendo com as temperaturas, criando uma instabilidade que os modelos tradicionais não explicam mais sozinhos.

“Isso exige decisões mais cautelosas no campo”, afirma.

Para a nossa região, isso se traduz em uma “loteria” nas chuvas: o volume total pode até parecer normal no papel, mas a distribuição deve ser muito irregular, dificultando a vida de quem depende da precisão do calendário.

Alerta vermelho

O maior ponto de atenção para o produtor de Goiás, Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul é o fechamento da segunda safra de milho. Existe o risco de as frentes frias ficarem presas mais ao sul do País, sem força para subir e trazer umidade para o interior do continente. Isso pode causar um corte precoce das chuvas no Centro-Oeste, atingindo o milho justamente no momento crítico de enchimento de grão e formação de biomassa.

Por outro lado, o excesso de água que vimos recentemente em áreas de Mato Grosso e Goiás deixou um aviso importante: chuva demais na hora errada atrapalha tanto quanto a seca.

O solo encharcado atrasou a entrada das máquinas e complicou a janela ideal de plantio para muitos, mostrando que a gestão de risco agora precisa considerar esses extremos.

A ameaça da seca

O planejamento para o final do ano deve ser feito com “pé no chão” e margem de segurança. O relatório indica que, a partir de julho, o possível retorno do El Niño pode se somar a um aquecimento no Oceano Índico. Se essa combinação acontecer, o risco de uma seca severa aumenta muito, especialmente nas áreas mais ao norte do Centro-Oeste.

Mesmo com a neutralidade no curto prazo, o cenário para o plantio da safra 2026/2027 pode ser desafiador. A recomendação é clara: não conte com padrões antigos.

“O agro está lidando com um clima mais errático. O mesmo sistema que traz benefício para uma região pode gerar perdas em outra. Por isso, o planejamento precisa considerar margem de segurança e gestão ativa de risco climático”, avalia a analista.