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Laser e IA: a nova aposta da Embrapa para analisar solo e medir carbono

Laser e IA: a nova aposta da Embrapa para analisar solo e medir carbonoTécnica elimina a necessidade de preservação de amostras. Foto: Embrapa

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Uma inovação desenvolvida por pesquisadores da Embrapa Instrumentação, em São Carlos (SP), promete revolucionar a forma como o produtor rural entende a saúde do seu terreno. O novo método utiliza laser e inteligência artificial para medir, ao mesmo tempo, a densidade do solo e o teor de carbono — informações fundamentais para aumentar a produtividade e validar créditos de carbono com mais rapidez e menor custo.

Segundo a Agência Fapesp, medir a densidade do solo é um processo lento: exige abrir valas profundas, usar anéis de metal para coletar terra sem deformá-la e realizar pesagens minuciosas em laboratório. Com a nova técnica, que já teve pedido de patente depositado, esse trabalho de campo fica muito mais simples, permitindo o uso de amostras comuns e agilizando o monitoramento ambiental e a agricultura de precisão.

Como funciona o “plasma” de luz

A tecnologia baseia-se em uma técnica chamada LIBS. Nela, um pulso de laser atinge a amostra de solo e cria um microplasma (uma pequena nuvem de energia). A luz emitida por esse plasma funciona como uma “impressão digital”, revelando quais elementos químicos estão ali.

“O espectro LIBS de uma amostra de solo exibe centenas de linhas de emissão correspondentes a elementos comuns do solo, como carbono, silício, alumínio, magnésio, ferro e cálcio. Essas características espectrais, que são influenciadas tanto pela composição elementar quanto pelas propriedades estruturais, desempenham um papel crucial”, explica o pesquisador Paulino Ribeiro Villas-Boas.

Ao cruzar essa “luz” com modelos de inteligência artificial treinados em quase mil amostras de solos brasileiros, o sistema consegue estimar a compactação e a riqueza do solo de forma automática.

Menos custos, mais agilidade

O grande benefício está em eliminar os gargalos do método tradicional. Segundo o pesquisador Ladislau Martin Neto, coletar terra da forma antiga é um desafio: “Se o solo for muito arenoso ou muito seco, há dificuldades adicionais para cravar o anel e retirar a amostra. Isso implica tempo de trabalho das equipes de coleta, encarecendo os custos de amostragem”.

Com a nova metodologia, o rigor técnico necessário na coleta diminui, pois o software de IA compensa as variações. “O processo de coleta de amostras é facilitado, pois podem ser coletadas amostras deformadas, ou seja, que sofreram alterações em sua estrutura durante a coleta”, conta Villas-Boas.

O futuro no mercado de carbono

A descoberta chega em um momento crucial para o agronegócio sustentável. Como a densidade do solo indica o quanto de carbono está realmente “estocado” sob os pés, a tecnologia da Embrapa torna-se uma ferramenta poderosa para laboratórios e certificadoras de crédito de carbono.

Para os pesquisadores, o uso do laser vai além de descobrir do que o solo é feito: ele abre as portas para entender a estrutura física da terra de forma digital e rápida, aproximando a ciência de ponta do dia a dia da fazenda.