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Parceria cria plataforma para rastreabilidade bovina em MT

Parceria cria plataforma para rastreabilidade bovina em MTPassaporte Verde foi sancionado em dezembro de 2025. Foto: Divulgaçã/ Imac

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Por André Garcia

Mato Grosso receberá um projeto-piloto de plataforma digital para rastrear emissões de carbono e comprovar sustentabilidade na cadeia da carne bovina. A iniciativa foi anunciada nesta sexta-feira, 23/1, em acordo entre a empresa global de tecnologia ESG Diginex, a consultoria BGlobal e o governo estadual.

O sistema vai funcionar como base digital do Passaporte Verde, política estadual que institui o monitoramento socioambiental e a rastreabilidade do rebanho, transformando transparência e regularidade ambiental em vantagem competitiva, ampliando o acesso a crédito e a mercados nacionais e internacionais.

Em comunicado à imprensa, a Diginex adiantou que o objetivo é organizar dados de emissões e sustentabilidade em padrões internacionais, com registros verificáveis e prontos para sistemas de medição, relato e verificação (MRV), base considerada essencial para iniciativas futuras de descarbonização e carbono.

“Vemos uma grande oportunidade para que uma infraestrutura robusta de dados e ESG desempenhe um papel construtivo. Este Acordo-Quadro nos permite avançar de forma disciplinada e estruturada, mantendo os mais altos padrões de governança e credibilidade”, disse Miles Pelham, presidente do Conselho da empresa.

Carne bovina é o ponto de partida

Vale destacar que o projeto começa com um piloto na cadeia da carne, mas pode ser ampliado para outros setores. Assim, a partir dele, empresas que atuam em Mato Grosso poderão medir, registrar e apresentar dados de sustentabilidade em padrões reconhecidos internacionalmente.

“Ao combinar um forte engajamento local com capacidades de ESG e de relatórios reconhecidos globalmente, a colaboração proposta cria a base para a transparência, a rastreabilidade e a criação de valor a longo prazo em setores-chave”, explicou Marta M. DeVito, diretora-geral e CEO da Bglobal.

Possibilidades de mercado

No caso do Passaporte Verde, os benefícios previstos incluem a abertura de novos mercados, inclusive no segmento de carbono, que foi avaliado em aproximadamente US$ 43,1 bilhões em 2024 no Brasil. Para 2030, a projeção é que o setor alcance US$ 76,8 bilhões.

O País também representa oportunidade de crescimento para a Diginex, com o mercado de software de gestão de sustentabilidade – abrangendo gestão de carbono, conformidade, relatórios e soluções ESG relacionadas – avaliado em aproximadamente US$ 141,4 milhões em 2024 e projetado para atingir US$ 341,4 milhões até 2030.

Não por acaso, Mato Grosso aparece no centro dessa estratégia. Com mais de 900 mil km² e cerca de 60% do território preservado, o estado é descrito como uma das regiões agrícolas mais relevantes do mundo tanto para o abastecimento global de alimentos quanto para resultados climáticos e de biodiversidade.

O que é o Passaporte Verde

Sancionado em dezembro de 2025, o Passaporte Verde institui a política estadual de monitoramento socioambiental e rastreabilidade do rebanho local. O programa abre um caminho gradual para comprovar que a carne produzida no estado está alinhada ao Código Florestal e às exigências ambientais de compradores nacionais e internacionais.

De acordo com o Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), responsável pela condução da proposta, a integração entre bases sanitárias e ambientais começa a partir de 2026 e deve permitir, até 2033, o acompanhamento dos animais do nascimento ao abate.

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