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Nanotecnologia pode reduzir custos e aumentar eficiência no agro

Nanotecnologia pode reduzir custos e aumentar eficiência no agroTecnologia pode responder a desafios climáticos e alta nos custos. Foto: DC Studio/Freepik

Apostar em tecnologia de precisão pode ser alternativa para escassez de insumos
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Por André Garcia

A resposta para as principais ameaças que rondam o agronegócio atualmente pode ser invisível a olho nu. Baseada na manipulação de substâncias em escala microscópica, a nanotecnologia avança com a promessa de reduzir custos, mitigar impactos climáticos e responder às exigências por sustentabilidade.

É o que indica o portfólio de inovação do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima). Disponível para empresas, governos e produtores, o material traz soluções com potencial de aplicação direta no campo e mostra como o futuro da atividade passa pelo controle de pragas à adaptação das lavouras à seca.

“O desafio não é apenas produzir conhecimento, mas garantir que ele seja incorporado por quem toma decisão”, afirma o coordenador de inovação do centro, Leonardo Fraceto, ao destacar que a proposta é reduzir a distância entre laboratório e campo, com soluções que tenham impacto econômico e ambiental mensurável.

Controle de pragas com menor impacto

É o caso das soluções baseadas em nanopartículas de ferro, prata e titânio, desenvolvidas a partir de microrganismos como Trichoderma harzianum e Beauveria bassiana. Essas abordagens combinam controle biológico e nanotecnologia para aumentar a eficiência no combate a fungos, bactérias e pragas agrícolas.

“Nossas pesquisas utilizam microrganismos, óleos essenciais e metabólitos de microrganismos para sintetizar nanopartículas que tenham ação contra fungos, bactérias e pragas agrícolas, assim como nanopartículas que sejam específicas para auxílio na fertilização”, explica a pesquisadora Renata de Lima.

Os estudos indicam que a partir disso é possível inibir patógenos como Sclerotinia sclerotiorum sem afetar a germinação de sementes ou organismos benéficos, além de atuar no controle de lagartas que causam prejuízos relevantes às lavouras. Na prática, isso reduz a necessidade de aplicações químicas.

Produtividade e adaptação ao clima

O portfólio também destaca a adaptação das plantas a condições adversas. Pesquisas com moléculas como óxido nítrico (NO) e sulfeto de hidrogênio (H₂S), associadas à nanotecnologia, têm mostrado potencial para aumentar a tolerância de mudas à seca, melhorar a germinação e fortalecer o desenvolvimento inicial das plantas.

A aplicação pode contribuir tanto para o sucesso de áreas de restauração quanto para a estabilidade em culturas agrícolas.

“Mesmo que as plantas já produzam essas moléculas naturalmente, esta aplicação de forma exógena tem mostrado aumento da tolerância das mudas ao déficit hídrico”, relata Neidique Silveira, pesquisadora associada ao CBioclima e professora assistente doutora no Departamento de Biodiversidade do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp/Rio Claro).

Eficiência no uso de insumos

O portfólio também inclui tecnologias de nanoencapsulamento e sistemas de liberação controlada para aumentar a eficiência de defensivos e fertilizantes. Entre os exemplos estão nanoformulações de inseticidas com sinergistas, que permitem reduzir doses e melhorar o controle de pragas como Chrysodeixis includens e Euschistus heros.

Há ainda pesquisas com nanocarreadores proteicos e frações de lignina voltadas à liberação gradual de ativos, alinhadas a princípios de química verde. A lógica é aumentar a precisão das aplicações, reduzir desperdícios e diminuir o impacto ambiental do uso de insumos.

 “As tecnologias que desenvolvemos têm sempre como objetivo resolver problemas e minimizar os impactos do uso de agrotóxicos”, diz Fraceto.

Do laboratório ao campo

Apesar do potencial, a adoção em escala ainda esbarra em custos de produção, exigências regulatórias e na própria aceitação do mercado. Nesse cenário, a aproximação com empresas e produtores é vista como etapa essencial para direcionar as pesquisas e viabilizar a aplicação prática das tecnologias.

Embora muitas soluções ainda estejam em fase de validação, o avanço indica uma mudança de foco, do desenvolvimento para a implementação.

“Se temos inovações que podem minimizar os impactos das variações climáticas nas culturas, isso pode ter um impacto significativo”, diz Fraceto. “Com o avanço dessas tecnologias, espera-se uma contribuição relevante para a agricultura sustentável”, completou o coordenador.

 

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