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Renda de 110%, carbono e sucessão familiar: a vez da agrofloresta

Renda de 110%, carbono e sucessão familiar: a vez da agroflorestaFmília está envolvida na implementação da ILPF. Foto: Reprodução/Embrapa

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Por André Garcia

Com potencial para aumentar em até 110% a renda líquida por hectare, segundo estudo recente da ProVeg, os Sistemas Agroflorestais (SAFs) despontam como alternativa para dois grandes desafios da agricultura familiar: a sucessão familiar e o ingresso no mercado de carbono.

Em Mato Grosso do Sul, dois exemplos mostram como essa mudança já começa a transformar a realidade de pequenos produtores. No Sítio Nossa Senhora Aparecida, em Guia Lopes da Laguna, a integração de espécies nativas ao cultivo de mel já garantiu à família Soares incremento na renda.

A atividade, que há mais de duas décadas sustenta a propriedade do casal Vanderlei e Ezilda Soares, agora se integra ao plantio de baru e de espécies nativas e à recuperação da pastagem. Isso criou um ambiente mais estável para as colmeias, com sombra, umidade adequada e oferta contínua de alimento.

Com a entrada dos filhos, Paulo e Maria Eduarda, o trabalho ganhou novo ritmo. Eles assumiram parte da gestão, ajudaram no manejo e criaram novos produtos à base de mel, ampliando o portfólio da família. A rotina também foi modernizada com o uso de ferramentas digitais e redes sociais.

“Estamos fazendo uma transformação cultural na região e agregando também conhecimento para nós mesmos. Logo, isso traz mais bem-estar social além de dar uma gratificação pessoal, porque a gente consegue abrir melhor as ideias para novas oportunidades e novos modelos de trabalho”, diz Paulo.

Geração de créditos de carbono

O avanço dos SAFs em Mato Grosso do Sul também abre portas para o mercado de carbono, que começa a ganhar escala no estado. A principal ferramenta para isso é o programa Agroflorestar, que tem como meta atender 57 mil famílias de agricultores familiares e 20 mil famílias de povos originários.

É o caso de 800 pequenos produtores do assentamento Nazareth, em Sidrolândia. Em fevereiro, cada um deles plantou 2,5 hectares de agrofloresta, garantindo a captura e armazenamento de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera. Com isso, suas emissões serão compensadas com a venda de créditos para fora do País.

De acordo com o governo estadual, o crédito de carbono será pago por meio de plataforma desenvolvida pela Rabobank Acorn, que envolve desde a medição do crescimento da biomassa via tecnologia de sensoriamento remoto, até a comercialização junto a sua rede de clientes internacionais.

“A agricultura familiar é uma base essencial da nossa estratégia de desenvolvimento sustentável. É por meio dela que conseguimos integrar inclusão social, segurança alimentar e conservação ambiental”, afirma o secretário de Meio Ambiente, Jaime Verruck.

Geração de emprego e renda

O estudo da ProVeg também mostra que as agroflorestas apresentam desempenho superior a todos os tipos de pecuária analisados em todos os biomas brasileiros. Quando se observa o potencial de aumento de renda por hectare, os SAFs se destacam como a alternativa mais vantajosa para pequenos e médios produtores.

Além do ganho econômico, a transição resulta na geração de emprego e renda no campo. A pesquisa revelou que, para cada R$ 1 milhão de produção anual em SAFs vegetais, são criados 30 postos de trabalho na cadeia produtiva. Na pecuária, o mesmo volume gera, em média, apenas 7 vagas.

“Nossas descobertas mostram que os SAFs vegetais são a chave para uma matriz de produção alimentar mais resiliente e justa, capaz de gerar mais valor na mesma área de terra usada hoje pela pecuária, além de regenerar áreas degradadas,” afirma Aline Baroni, diretora executiva da ProVeg Brasil.

 

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