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Agricultura sob risco: plantas podem não resistir ao calor extremo

Agricultura sob risco: plantas podem não resistir ao calor extremoA diversidade genética garante a sobrevivência. Foto: Niek Scheepens, Goethe University Frankfurt

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Por André Garcia

A capacidade de adaptação das plantas pode não acompanhar as mudanças climáticas, e muitas espécies podem colapsar em um mundo mais quente e seco. A conclusão é de estudo liderado pela Goethe University Frankfurt e acende um alerta para a agricultura ao indicar limitações do melhoramento genético, importante estratégia para o setor.

O experimento acompanhou, por até cinco anos, a evolução de populações da planta Arabidopsis thaliana em diferentes regiões do mundo. Segundo Niek Scheepens, um dos coordenadores do estudo e professor de Ecologia Evolutiva de Plantas, os resultados mostram que a adaptação pode ocorrer rapidamente, mas não de forma universal.

“Espécies vegetais raras, com populações pequenas e baixa diversidade genética, estão, portanto, pouco preparadas para lidar com mudanças ambientais, incluindo as mudanças climáticas”, disse.

Evolução das plantas

Os pesquisadores distribuíram sementes da espécie em 30 locais na Europa, região do Mediterrâneo e Estados Unidos, criando 12 populações em cada área. Em cada ponto, as plantas foram cultivadas em pequenas parcelas e acompanhadas ao longo dos anos, com coleta anual de material genético.

A análise mostrou que, na maioria dos ambientes, as populações sobreviveram e apresentaram mudanças genéticas consistentes, associadas a características como tolerância à seca e tempo de floração. Em regiões com clima semelhante, essas alterações seguiram padrões parecidos.

“Ambos os resultados mostram como o clima exerce pressão de seleção evolutiva, favorecendo genes e variantes genéticas que ajudam a planta a se adaptar melhor ao seu ambiente”, explicou Scheepens à publicação científica EurekAlert.

Adaptação falha em ambientes extremos

No entanto, em locais mais quentes e secos, parte das populações não resistiu e desapareceu após três anos, deixando as áreas sem plantas.
Nesses casos, as análises apontaram maior influência de mudanças genéticas aleatórias, conhecidas como deriva genética, em vez de um processo de adaptação direcionada.

“Nessas populações, mudanças aleatórias aparentemente predominaram devido ao tamanho relativamente pequeno de cada população dentro das parcelas. Em vez de adaptação bem-sucedida, prevaleceu a chamada ‘deriva genética’”, acrescentou.

Impacto além do laboratório

Por ser considerada uma espécie modelo, a Arabidopsis thaliana tem seus padrões biológicos usados para entender processos que ocorrem em outras plantas, incluindo culturas agrícolas. Isso significa que os limites observados na capacidade de adaptação ao ambiente também podem se refletir em sistemas produtivos.

“De modo geral, nosso experimento é um forte apelo à preservação da biodiversidade: a diversidade garante a sobrevivência”, concluiu o pesquisador.

 

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