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Com guerra, uso de fertilizantes deve cair 2 milhões de toneladas no Brasil

Com guerra, uso de fertilizantes deve cair 2 milhões de toneladas no BrasilEscalada de preços se intensificou com conflito. Foto: Wenderson Araujo/Trilux

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Por André Garcia

A alta nos preços dos fertilizantes deve reduzir o uso de insumos no campo brasileiro em 2026, pressionando ainda mais as margens do produtor em um cenário de custos elevados e incerteza global. Em relatório divulgado na última semana, o Rabobank, maior banco especializado em agronegócio do mundo, projeta queda de quase 2 milhões de toneladas nas entregas em relação ao ano passado.

Depois de um 2025 recorde, com mais de 49 milhões de toneladas entregues ao consumidor final, a estimativa é de que o volume recue para cerca de 47,2 milhões de toneladas.

“Esse resultado [de 2025] dificilmente será repetido em 2026, principalmente devido às restrições financeiras contínuas dos produtores, mas, sobretudo, por causa do aumento nos custos dos fertilizantes, que já eram motivo de preocupação antes mesmo do início dos conflitos no Oriente Médio”, informou a instituição financeira.

Ainda nos dois primeiros meses de 2026, os principais fertilizantes importados pelo Brasil já acumulavam alta média de 17%. A ureia e o MAP lideraram esse movimento, com elevações de 19% e 17%, respectivamente.

Ureia dispara e expõe dependência do gás natural

Com o agravamento das tensões no Oriente Médio, a escalada de preços se intensificou. A ureia, principal fertilizante nitrogenado utilizado no País, registrou alta de mais de 46% em apenas três semanas de conflito. No acumulado do ano até março, a alta chega a cerca de 76%.

O fósforo, que já vinha em trajetória de valorização antes da crise, também passou a refletir os impactos do cenário geopolítico. O MAP ultrapassou a marca de US$ 800 por tonelada, atingindo o maior valor desde agosto de 2022. A menor disponibilidade global e o aumento no custo do enxofre seguem como fatores de pressão.

Custo alto muda decisões no campo

Na prática, o encarecimento dos insumos tende a alterar decisões no campo. Com menor capacidade de investimento, produtores podem reduzir a intensidade da adubação ou ajustar o pacote tecnológico, o que impacta diretamente a demanda no curto prazo e pode trazer reflexos sobre a produtividade nas próximas safras.

Além da demanda, o relatório também aponta riscos do lado da oferta. Embora o calendário ainda favoreça o Brasil, com cerca de 70% das importações de ureia concentradas a partir de maio, a continuidade do conflito adiciona incerteza sobre a disponibilidade do produto ao longo do ano.

Para o Rabobank, a geopolítica volta a assumir papel central na formação dos preços dos fertilizantes, ampliando o nível de risco para o planejamento da safra. Entre custos em alta e menor previsibilidade, o produtor entra em 2026 pressionado a equilibrar investimento e exposição em um ambiente mais volátil.

 

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