Por André Garcia
Mesmo diante de custos pressionados e de um ambiente cada vez mais exposto a variáveis externas, cerca de 60% dos produtores ainda não utilizam ferramentas estruturadas de controle e planejamento. Na Estância Bela, a produtora rural Tábitha Perondi adotou outro caminho, transformando a pecuária em um modelo mais eficiente, sustentável e lucrativo.
O cenário exige mudança de conduta. No Centro-Oeste, os custos de confinamento subiram 11,93% em março, alcançando R$ 13,23 por cabeça por dia, segundo o indicador ICAP, da Ponta Agro. Em Ribas do Rio Pardo (MS), a experiência de Tábitha mostra como a gestão pode ajudar a enfrentar esse desafio.
“É uma pecuária mais formal e organizada. Antes, a gente olhava basicamente o preço de compra e de venda. Hoje, a gente acompanha todo o processo”, afirma.
Uma das mudanças mais significativas foi o controle financeiro. Com apoio do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural em Mato Grosso do Sul, todas as despesas passaram a ser registradas e acompanhadas, dando mais clareza sobre os custos e os resultados da atividade.
“Hoje eu sei exatamente, quando vendo um gado, quanto sobra de lucro real”, acrescenta.
A transformação da propriedade também está ligada à sucessão familiar. A atividade foi construída ao longo de três gerações, do avô, seu Olímpio, ao pai, Nelson, até chegar à atual gestão.
“O meu avô, no final da vida, passou o bastão para o meu pai, e hoje meu pai passou para mim. Tudo que eu aprendi dentro da pecuária veio deles”, conta.
Gestão no campo
No dia a dia, a reorganização do sistema produtivo foi fundamental. As áreas foram divididas em invernadas de aproximadamente 40 hectares, permitindo melhor manejo do rebanho e maior controle da produção.
A água, que antes vinha de fontes naturais sem controle, também passou por ajustes. Com a implantação de pilhetas e o manejo adequado, a qualidade do recurso melhorou e os animais passaram a apresentar melhor desempenho.
“A gente cercou a nascente e o açude para o gado não entrar. Depois que colocamos a pilheta e fizemos o manejo correto, o peso melhorou”, relata. “Em uma fazenda do meu avô, o gado bebia em aguadas naturais, às vezes em cacimbas. A gente tinha muito problema de diarreia nos bezerros”, completa.
A preservação ambiental passou a fazer parte da rotina da propriedade. O cercamento de nascentes e açudes reduziu a pressão sobre os recursos naturais, contribuindo para a conservação da fauna e da flora.
Eficiência e organização
Além disso, a propriedade avançou na adoção de práticas ambientais, sociais e de governança. Entre as medidas estão o uso de equipamentos de proteção individual, a reorganização do barracão para separação adequada de insumos e a adoção de práticas de manejo mais seguras.
Como resultado, o índice ESG evoluiu de 83,6% em 2024 para 93,6% em 2025, refletindo melhorias no ambiente de trabalho, na gestão de riscos e na capacitação da equipe.
A experiência da Estância Bela reforça uma tendência no setor, em que práticas de gestão e sustentabilidade passam a ser adotadas como estratégia de eficiência e competitividade. Estudo da consultoria EY-Parthenon aponta que esses critérios podem gerar até R$ 247 bilhões em impacto econômico no agronegócio brasileiro, com ganhos de produtividade, redução de riscos e acesso a novos mercados.
LEIA MAIS:

