Por André Garcia
A regeneração de áreas desmatadas ilegalmente pode destravar pelo menos R$ 921,2 milhões na pecuária de Mato Grosso, ao reinserir no mercado formal produtores impedidos de comercializar por apresentarem passivos ambientais.
A estimativa, divulgada pelo Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), considera apenas as fazendas monitoradas pelo Programa de Reinserção e Monitoramento (Prem), que conduz a regeneração de uma área equivalente a 5,8 mil campos de futebol.
“Para o setor, o passivo ambiental significa um bloqueio direto à comercialização. Propriedades com desmatamento irregular registrado no sistema Prodes ou com embargos ficam impedidas de vender para frigoríficos que atendem grandes redes varejistas e exportadores”, explica o presidente do Imac, Caio Penido.
Por outro lado, sem mecanismos de reinserção, a exclusão do mercado formal tende a empurrar parte desses produtores para a informalidade, abastecendo cadeias paralelas que operam fora dos padrões sanitários, ambientais e fiscais.
Além do impacto econômico, o programa também reforça a posição de Mato Grosso em mercados cada vez mais exigentes em critérios socioambientais.
“Ao transformar áreas antes irregulares em ativos produtivos, o estado avança em um modelo que combina produção e conservação”, acrescenta Penido.
Avanço do programa
Não à toa, em quatro anos, o Prem passou de quatro para 167 pecuaristas desbloqueados. Segundo o Imac, o programa monitora atualmente 381 mil hectares, área equivalente a cerca de 2,5 vezes o município de São Paulo, e acompanha a regeneração ativa de 4,1 mil hectares de vegetação nativa.
O programa também integra o Passaporte Verde, política estadual voltada à conformidade socioambiental da pecuária, com acompanhamento técnico e orientação aos produtores.
Regularização e acesso ao mercado
Para ingressar no programa, a fazenda precisa atender a critérios como a identificação de passivos ambientais, a manutenção de cadastro ativo e o compromisso com a recuperação das áreas. Após diagnóstico inicial, o produtor firma um termo de adesão e passa a ser monitorado até a regularização completa.
De acordo com o Imac, o perfil dos participantes indica que o movimento não se restringe a grandes propriedades. Produtores de grande porte representam 38,3% dos aderentes ao programa, seguidos por pequenos (34,7%) e médios (26,9%).
Na prática, esse movimento reforça um ponto central para a pecuária do estado: sem conformidade ambiental, não há acesso ao mercado.
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