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Seca e extração de madeira ameaçam umidade da Amazônia

Seca e extração de madeira ameaçam umidade da AmazôniaCorte seletivo é uma das principais causas da degradação. Foto: Sema/MT

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Por André Garcia

Secas extremas, incêndios e exploração madeireira já abriram clareiras em pelo menos 24,9 milhões de hectares da Amazônia Legal desde 1988, segundo levantamento do MapBiomas. O avanço da degradação da camada superior da floresta preocupa pesquisadores porque reduz a umidade no interior da mata e aumenta a vulnerabilidade da região a novos eventos extremos.

Esse fenômeno é chamado pelos cientistas de distúrbio de dossel e acontece quando a continuidade das copas das árvores é rompida por fogo, seca, ventos extremos ou corte seletivo de madeira.

Na prática, isso aumenta a entrada de calor e reduz a umidade no interior da mata, deixando a floresta mais vulnerável a novos episódios de degradação. Situação que tende a piorar este ano.

“A previsão de ocorrência de El Niño para este ano indica condições favoráveis para novas secas na região, o que tende a facilitar a ocorrência desses distúrbios nesse tipo de floresta”, alerta Bruno Ferreira, pesquisador do MapBiomas na equipe da Amazônia.

Floresta mais vulnerável

Segundo o levantamento, cerca de 7% de toda a cobertura florestal da Amazônia Legal apresentou algum tipo de distúrbio de dossel por pelo menos um mês ao longo das últimas décadas. O pico ocorreu em 2016, quando foram detectados 4 milhões de hectares afetados. Entre 2019 e 2024, a área impactada somou 2,1 milhões de hectares.

Madeira e ilegalidade pressionam floresta

Além das secas e incêndios, a exploração seletiva de madeira também aparece como um fator relevante na degradação do dossel amazônico. Entre 1988 e 2024, o MapBiomas identificou 9,7 milhões de hectares com indícios de exploração seletiva de madeira na Amazônia Legal.

A atividade está fortemente concentrada em Mato Grosso e Pará, responsáveis por 83,5% de toda a área identificada com sinais de corte seletivo.

Em Mato Grosso, dados da Rede Simex mostram avanço da exploração ilegal em áreas protegidas. Entre agosto de 2023 e julho de 2024, 46% da área explorada ilegalmente para fins madeireiros no estado estava localizada em Terras Indígenas e Unidades de Conservação.

Segundo o levantamento, foram 22,4 mil hectares explorados nessas áreas, alta de 85% em relação ao período anterior.

 

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