A retomada da soberania nacional na produção de insumos agrícolas ganhou novos capítulos nesta quinta-feira, 14/5. Enquanto a Petrobras confirmou investimentos bilionários para concluir unidades fabris, o estado de Mato Grosso oficializou a criação de uma comissão técnica estratégica para otimizar o uso de fertilizantes no campo.
As iniciativas buscam blindar o agronegócio brasileiro contra crises internacionais e oscilações de preços no mercado global.
Durante visita à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), na Bahia, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a companhia trabalha para finalizar a construção da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN) III, em Três Lagoas (MS). O projeto, que teve as obras retomadas no mês passado após reavaliação de viabilidade, deve receber um aporte de US$ 1 bilhão, com previsão de início das operações em 2029.
Segundo a executiva, o plano da estatal é que o conjunto de unidades no Mato Grosso do Sul, Paraná, Sergipe e Bahia permita à Petrobras responder por 35% da produção nacional de nitrogenados. O anúncio ocorreu ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reforçando o setor de fertilizantes como prioridade na agenda de segurança alimentar e econômica do Governo Federal.
Mato Grosso assume protagonismo
Na outra ponta da cadeia, Mato Grosso — líder nacional na produção de grãos — intensifica a organização do setor produtivo. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) realizou a segunda reunião do Comitê Gestor de Fertilizantes e Bioinsumos, alinhando as demandas estaduais ao Plano Nacional de Fertilizantes.
Um dos marcos do encontro foi a criação da Comissão de Fertilidade do Solo de Mato Grosso (CFS-MT). O grupo de especialistas terá a missão de elaborar recomendações oficiais de correção e adubação do solo; atualizar métodos de análise laboratorial; e definir prioridades de pesquisa para aumentar a produtividade com eficiência econômica.
Com a consolidação da UFN III e o fortalecimento técnico em Mato Grosso, o Brasil busca um modelo de desenvolvimento que integre a produção industrial de grande escala ao manejo científico de precisão, garantindo a competitividade das commodities brasileiras no cenário global.

