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Amazônia e Cerrado têm queda no desmate em abril; MT lidera alertas

Amazônia e Cerrado têm queda no desmate em abril; MT lidera alertasPeríodo corresponde à estação chuvosa, o que reduz os índices. Foto: Mayke Toscano/Gcom-MT

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Por André Garcia

O desmatamento perdeu ritmo em abril nos dois maiores biomas do Brasil. Na Amazônia, os alertas de supressão de vegetação caíram 15% em relação ao mesmo mês de 2025, passando de 270 km² para 228 km². No Cerrado, a redução foi ainda mais expressiva: 40%, com recuo de 691 km² para 418 km².

Os dados são do sistema Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).  O sistema emite alertas em tempo real para orientar ações de fiscalização ambiental. Já os números oficiais do desmatamento são consolidados anualmente pelo Prodes, também do Inpe.

Apesar da queda registrada em abril, especialistas alertam que o período ainda corresponde à estação chuvosa nas regiões Norte e Centro-Oeste, o que naturalmente reduz a derrubada da vegetação e dificulta a detecção por imagens de satélite devido à maior cobertura de nuvens.

Acumulado do ano

Por isso, o acumulado do ano oferece um retrato mais consistente da situação. Entre janeiro e abril, a Amazônia perdeu 627 km² de vegetação nativa, redução de 6% em relação ao mesmo período de 2025. No Cerrado, foram registrados 1.884 km² desmatados, queda de 4% na comparação anual.

Os dados mantêm a trajetória de redução observada desde 2023, especialmente na Amazônia, embora o Cerrado continue registrando taxas elevadas de perda de vegetação nativa. Considerando a série histórica do Deter, iniciada em 2016 na Amazônia e em 2019 no Cerrado, o acumulado de 2026 foi o segundo menor já registrado para a floresta amazônica e o quarto menor para o bioma cerrado.

Entre os estados amazônicos, Mato Grosso liderou os alertas de desmatamento no acumulado do ano, com 255 km², seguido por Pará (144 km²) e Roraima (117 km²). Já no Cerrado, os maiores registros ocorreram em Tocantins (568 km²), Maranhão (370 km²) e Bahia (225 km²).

Temporada de maior risco ainda não começou

Os meses mais críticos para o desmatamento ainda estão por vir. Historicamente, o período seco entre maio e setembro concentra a maior parte da derrubada da vegetação e dos incêndios florestais no país.

Além disso, há previsão de formação de um novo episódio de El Niño nos próximos meses. O fenômeno climático costuma intensificar a estiagem nas regiões Norte e Nordeste, aumentando o risco de queimadas e favorecendo o avanço do desmatamento.

Hoje, o desmatamento segue como a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa do Brasil. Segundo o Seeg (Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa), a destruição da vegetação nativa respondeu por 42% de todo o carbono emitido pelo país em 2024.

A redução da derrubada das florestas é considerada uma das principais metas do plano climático brasileiro e peça central dos compromissos assumidos pelo país no âmbito do Acordo de Paris.

 

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