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Desmate gera impacto de US$ 81 bi no agro, na energia e infraestrutura

Desmate gera impacto de US$ 81 bi no agro, na energia e infraestruturaPrejuízo com a perda florestal aparece de forma indireta. Foto: Secom-MT

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O desmatamento anual gera um impacto econômico de US$ 81 bilhões devido a danos climáticos, um montante que não é contabilizado formalmente nos orçamentos dos países. Em vez disso, esse prejuízo manifesta-se de forma indireta: na queda dos lucros do setor hidrelétrico, na redução do rendimento das safras agrícolas, em gastos com assistência humanitária e na reconstrução de infraestruturas danificadas.

“Ministros de Finanças e investidores em infraestrutura estão pagando pela perda de florestas no mundo sem nem saber”, afirmou Martin Krause, diretor de Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Esse alerta sobre a possibilidade de quantificar financeiramente a destruição florestal ocorreu durante o lançamento do Mapa do Caminho para Parar e Reverter o Desmatamento e a Degradação Florestal até 2030, no Fórum das Nações Unidas sobre Florestas, em Nova York, nesta segunda-feira.

A iniciativa é da presidência brasileira da COP30 e busca transformar compromissos já assumidos nas COPs climáticas em estratégias concretas de implementação.

Krause ressaltou ainda que cerca de 25 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade dependem diretamente das florestas tropicais para subsistência, utilizando recursos como lenha e produtos não madeireiros.

“Quando se perdem florestas, o custo social sobe, assim como as estatísticas de pobreza, mas não nas contas do desmatamento”, explicou o diretor.

Segundo ele, há um erro grave de percepção econômica.

“É uma falha crucial na contabilidade: perdas florestais são difusas e distribuídas em setores que não se enxergam como stakeholders florestais. Este roadmap tem potencial de deixar isso explícito para audiências além da comunidade florestal”, concluiu.