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Produtores lançam manifesto por apoio ao agro sustentável

Produtores lançam manifesto por apoio ao agro sustentávelCampnha tem o título manifesto "A nova safra do agro é regenerativa". Foto: Embrapa

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Resumo

  • A Frente Empresarial para Regeneração da Agricultura (Fera) lançou o manifesto “A nova safra do agro é regenerativa”.
  • O objetivo é defender medidas para acelerar a transição sustentável no campo, provando que é possível unir alta produtividade com a restauração de solos, água e biodiversidade.
  • Principais Pedidos do Manifesto: 1. Acesso a crédito facilitado e políticas públicas que reconheçam o tempo da transição sustentável. 2. Capacitação técnica e assistência para produtores distantes dos grandes centros. 3. Criação de normas de incentivo e maior acesso a mercados que valorizem práticas regenerativas.
  • O documento destaca que solos mais saudáveis que retêm mais água, maior resistência a secas, pastagens mais eficientes, aumento da produtividade e redução de custos operacionais.
  • O modelo busca transformar o solo em um dos principais ativos da fazenda, mostrando que o Brasil já possui soluções para produzir em larga escala sem esgotar os recursos naturais.

 

Um grupo de produtores rurais organizado na Fera (Frente Empresarial para Regeneração da Agricultura) lançou uma campanha e uma carta-manifesto defendendo medidas para acelerar a transição sustentável no setor agropecuário.

A iniciativa reúne produtores que já adotam práticas regenerativas e busca chamar atenção para a necessidade de mais crédito para quem está disposto a assumir compromissos com a sustentabilidade.

O manifesto, intitulado “A nova safra do agro é regenerativa”, defende também capacitação técnica para geração de mão de obra, maior acesso a mercados e a criação de normas de incentivo.

“Há um Brasil que já colhe, hoje, a resposta para uma pergunta que o mundo inteiro ainda tenta responder: como produzir em larga escala e também alimentar bilhões de pessoas sem esgotar a terra que sustenta essa fartura? Esse Brasil está em produção, agora, em milhares de fazendas espalhadas por todas as regiões do país, onde produtoras e produtores rurais vêm mostrando, na prática, que é possível produzir restaurando o solo e os mananciais, com segurança, resiliência climática, com aumento de produtividade e diminuição de custos”, diz a carta.

Segundo o documento, “é preciso investir em políticas públicas com acesso a crédito facilitado, que reconheça o tempo da transição, assistência técnica que chegue a quem está longe dos grandes centros e acesso a mercados dispostos a valorizar quem já entrega esse resultado”.

Resposta ao desafio global

Na carta, os signatários argumentam que o Brasil já tem a resposta para o desafio global de produzir em larga escala sem esgotar os recursos naturais. Destacam que o modelo regenerativo “tem ganhado cada vez mais hectares pelo país” e que o impulso para essa transformação é o mesmo que, décadas atrás, fez do Brasil se tornar uma potência agrícola: a capacidade de testar, ajustar e evoluir.

O documento afirma que “solo cuidado retém mais água e resiste melhor aos anos de seca”, que pastagens bem manejadas sustentam mais gado com mais saúde animal, e que terras exauridas voltam a produzir mais do que antes. Para que as práticas regenerativas deixem de ser exceção e passem a ser padrão no campo, o manifesto defende investimento em políticas públicas, crédito facilitado e assistência técnica.

“Assumi como missão mostrar que é plenamente possível unir produtividade excepcional na cana-de-açúcar e nos grãos com práticas regenerativas que restauram solo, água e biodiversidade”, diz Giuliano Beggio, produtor de cana-de-açúcar e cereais em Matão (SP), um dos membros da Fera.

Ele conta que promoveu mudanças significativas no negócio da família depois de ingressar no grupo. Em sua propriedade, Beggio adota técnicas que aumentam a matéria orgânica do solo, reduzem a dependência de insumos externos e ampliam a biodiversidade.

Para ele, o objetivo vai além de reduzir impactos ambientais.

“Na agricultura regenerativa, a proposta é recuperar a capacidade produtiva do próprio agroecossistema, fazendo do solo um dos principais ativos da fazenda”.

Saiba mais

O que é agricultura regenerativa – É um conjunto de práticas que busca recuperar a capacidade produtiva do solo e dos ecossistemas agrícolas, em vez de apenas reduzir os danos causados pelo cultivo convencional. Entre as técnicas mais adotadas estão as plantas de cobertura, usadas entre safras para proteger e enriquecer o solo, o plantio direto ou com revolvimento mínimo da terra, a rotação de culturas, o uso de compostos e biofertilizantes no lugar de insumos sintéticos e a integração de árvores e animais às áreas de lavoura.

 

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