Para o produtor rural do Vale do Araguaia, no Mato Grosso, que busca aumentar a produtividade sem inflacionar os custos com insumos químicos, as práticas de agropecuária regenerativa surgem como uma alternativa viável e testada na região. Estudos conduzidos pelo Núcleo Regenera, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) em parceria com a The Nature Conservancy (TNC) validaram tecnologias focadas na recuperação de pastagens degradadas e no manejo sustentável do solo.
Confira abaixo as principais soluções práticas que você pode avaliar e aplicar na sua propriedade:
1. Fábrica de microrganismos
O manejo biológico do solo deixa de ser uma tendência e passa a ser ferramenta de economia. A produção on-farm (na própria fazenda) de microrganismos benéficos ajuda a:
- Restabelecer a saúde da microbiota do solo.
- Aumentar a absorção de nutrientes pelas plantas.
- Atuar diretamente na recuperação de áreas de pastagens degradadas, reduzindo a dependência de fertilizantes sintéticos.
2. Remineralização com pó de rocha
O uso de remineralizadores naturais, como o silicálcio — produzido regionalmente a partir de pó de rocha —, ganhou destaque na validação técnica para lavouras de grãos, frutíferas e pastos.
- Vantagem: O insumo funciona como um condicionador de solo a longo prazo, liberando minerais de forma gradual, melhorando a estrutura da terra e a resistência das plantas a veranicos.
3. Sistemas Integrados de Produção Agropecuária (Sipa)
A integração entre os componentes vegetal, animal e mineral é a chave para otimizar o espaço da fazenda. Na prática, o sistema funciona cruzando o manejo correto do gado com a rotação de culturas e a reposição mineral do solo.
- O gargalo técnico: O produtor deve ficar atento à adaptação do sistema. O sucesso do SIPA depende do planejamento do tamanho dos piquetes, do tempo de descanso da pastagem e da escolha da cultura de rotação que melhor se adapta ao microclima da propriedade.
Onde buscar apoio e assistência técnica?
As tecnologias de manejo biológico, redução de pegada de carbono e recuperação de solo são testadas continuamente na Unidade Demonstrativa Sustentável (UDS), em Nova Xavantina (MT). O espaço funciona de portas abertas para conectar produtores a empresas de tecnologia agrícola, consultorias (como a Consipa) e laboratórios de análise de solo (como o IbraMegaLab).
Para entender como adaptar essas pesquisas à realidade do seu caixa e do seu solo, o produtor pode entrar em contato com o núcleo de pesquisa pelo e-mail da instituição (imprensa@unemat.br) para obter orientações sobre dias de campo e acesso aos modelos validados.
Fonte: Unemat

