Resumo:
- A coleta mecanizada de solo reduziu de dois dias para uma hora o tempo de amostragem por propriedade em projeto da Nestlé, por meio da Nescafé, e da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) em dez fazendas de café arábica de Patrocínio (MG), segundo a Globo Rural.
- O projeto usa a Bioanálise de Solo (BioAS), metodologia da Embrapa que mede a atividade de enzimas de microrganismos para orientar a adubação e o uso de defensivos.
- Em cada fazenda, talhões sob manejo convencional e regenerativo serão monitorados nos mesmos pontos georreferenciados até 2030, com medição de matéria orgânica e carbono no solo.
- Na Fazenda Manabuiú, que tem 516 hectares (ha) de café e colheu 28 mil sacas neste ano, a produtora Karina Seibt relata economia de custos com uso mais eficiente de insumos.
- A previsão é expandir o projeto para lavouras de arábica no sul de Minas Gerais e de conilon no Espírito Santo, além de outras das 3,8 mil fazendas do Nescafé Plan no Brasil.
Por André Garcia
Um projeto desenvolvido pela Nestlé, por meio da Nescafé, e pela Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer) está testando uma nova forma de avaliar a saúde do solo em lavouras de café. A tecnologia permite identificar as necessidades de cada área, orientar o uso de fertilizantes e defensivos e reduzir custos de produção.
Com a coleta mecanizada, o trabalho que antes levava dois dias passou a ser realizado em apenas uma hora por propriedade. Segundo reportagem da Globo Rural, a iniciativa é desenvolvida em parceria com a empresa de pesquisa e consultoria Fronterra Bio, em dez propriedades produtoras de café arábica em Patrocínio (MG).
A tecnologia utiliza a metodologia BioAS (Bioanálise de Solo), desenvolvida pela Embrapa, que complementa as análises tradicionais com a avaliação da atividade de enzimas produzidas por microrganismos. Esses indicadores ajudam a identificar as condições biológicas do solo e orientar decisões sobre adubação e uso de defensivos.
“A BioAS é uma metodologia que faz a contabilização da microbiota do solo. Os produtores conseguem ver como está o solo, o que tem de microbiota positiva e negativa, e o produtor pode tomar uma decisão mais assertiva sobre como vai fazer a adubação, a fertilização, e o uso de defensivos químicos eventualmente”, explicou Íkaro Almeida, coordenador agrícola do Nescafé Plan Brasil.
Coleta mecanizada permite acompanhar evolução do solo
Um quadriciclo equipado para coletar amostras de forma mecanizada e georreferenciada substitui o trabalho manual e permite retornar aos mesmos pontos para acompanhar a evolução do solo até 2030. Em cada propriedade, são avaliados dois talhões, com manejo convencional e regenerativo, e as amostras são encaminhadas a laboratórios credenciados pela Embrapa.
Segundo Rodolfo Clímaco, gerente de agricultura para cafés da Nestlé, o monitoramento também permitirá medir mudanças no teor de matéria orgânica e acompanhar seus efeitos sobre o armazenamento de carbono.
“A gente tem uma plataforma que faz a mensuração da redução de emissões de carbono, e essa tecnologia nos dá uma padronização e a possibilidade de mensurar o incremento de matéria orgânica no solo de uma forma muito precisa. Se o teor de material orgânico sofre alteração, também há alteração no sequestro de carbono”, afirmou.
Economia com insumos
Na Fazenda Manabuiú, em Patrocínio, a produtora Karina Seibt já percebe os benefícios do acompanhamento. A propriedade cultiva 516 hectares de café, colheu 28 mil sacas neste ano e participa do projeto desde 2025.
“Com o diagnóstico mais completo, conseguimos entender melhor a necessidade de cada talhão e direcionar o manejo de forma mais precisa. Isso possibilitou uma economia de custos, com uso mais eficiente de insumos”, relatou.
A fazenda também recebeu consultoria, capacitação e sementes de plantas de cobertura, como trigo-mourisco, crotalária, nabo forrageiro e braquiária, cultivadas entre as linhas do cafezal para proteger o solo das altas temperaturas e favorecer o controle natural de pragas.
“Tem que entender o solo para definir o mix. A gente usa trigo-mourisco, crotalária, nabo forrageiro e braquiária. Essas plantas ajudam a controlar a temperatura do solo e atraem os inimigos naturais das pragas do café”, explicou Karina.
Projeto deve alcançar mais propriedades
A Nestlé pretende ampliar o monitoramento para outras propriedades do Nescafé Plan, que reúne 3,8 mil fazendas no Brasil em transição para a agricultura regenerativa. Em 2025, 53% do café verde comprado pela Nescafé no mundo veio de propriedades que adotam esse modelo.
Globalmente, a companhia prevê investir mais de 1 bilhão de francos suíços (cerca de R$ 6,5 bilhões) no programa até 2030, com foco na expansão da agricultura regenerativa e na sustentabilidade da produção de café.
Saiba mais
O que é agricultura regenerativa?
É um conjunto de práticas de manejo voltadas a recuperar e manter a saúde do solo enquanto se produz. Entre elas estão manter o solo coberto o ano todo, com palhada ou plantas de cobertura, revolver a terra o mínimo possível, diversificar as espécies cultivadas e usar fertilizantes e defensivos de forma mais precisa. O objetivo é aumentar a matéria orgânica e a atividade biológica do solo, o que melhora a retenção de água, a ciclagem de nutrientes e o armazenamento de carbono. Não há uma definição legal única no Brasil. Empresas compradoras e certificadoras privadas estabelecem os próprios critérios para reconhecer uma fazenda como regenerativa.
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