Resumo
- Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o desmatamento na Amazônia e no Cerrado caiu aos menores níveis de suas séries históricas (3.335 km² e 5.516,69 km², respectivamente).
- Em relação ao ciclo anterior, a redução foi de 41,8% na Amazônia e de 23,8% no Cerrado. Na comparação com quatro anos atrás, as quedas foram de 71,2% e 48,4%.
- O Mato Grosso registrou 849 km² de área desmatada na Amazônia, uma redução marcante de 46,7%, ficando atrás apenas do Pará (1.130 km²).
- A queda é fruto do fortalecimento da fiscalização (Ibama), retoma do PPCDAm, embargos remotos via satélite e maior rigor na concessão de crédito rural.
- Por permitir maior percentual de desmate legal pelo Código Florestal em propriedades privadas, o ritmo de queda no Cerrado é mais lento e exige mais incentivos econômicos ao produtor rural.
O desmatamento na Amazônia e no Cerrado caiu ao menor patamar de suas respectivas séries históricas entre agosto de 2025 e julho de 2026, segundo levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgado nesta sexta-feira, 16/10. O anúncio oficial foi feito pelo governo federal durante evento no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).
No bioma Amazônia, a área desmatada somou 3.335 km² — menor índice desde o início do monitoramento, em 1988 —, o que representa uma queda de 41,8% frente aos 5.731 km² do ciclo anterior. Esta é a menor perda de floresta desde começaram os registros em 1988. É 27% menor que a área perdida em 2014 (4.428 km2) que era, até então, o menor valor.
Em quatro anos, a redução do desmatamento na Amazônia alcançou 71,2% — em 2022, o bioma havia registrado 11.594 km².
Com isso, o Brasil evitou a emissão de 1,2 bilhão toneladas de CO2 equivalente, considerando-se os quatro últimos resultados do Prodes.
Já no Cerrado, a taxa ficou em 5.516,69 km², o menor valor da série iniciada em 2001, sinalizando uma redução de 23,8% em relação aos 7.235,27 km² registrados no período anterior.
Destaque para Mato Grosso
Na Amazônia Legal, Mato Grosso destacou-se com uma das maiores quedas de desmatamento no período: o estado registrou 849 km², uma expressiva redução de 46,7% em comparação ao ciclo anterior. Com essa taxa, Mato Grosso ficou em segundo lugar na área total desmatada do bioma.
A liderança seguiu com o Pará, que registrou 1.130 km² (33,9% de todo o desmatamento da Amazônia). Mesmo no topo do ranking, o Pará recuou 45,3% em relação aos 2.064 km² anotados no período anterior.
O Amazonas apareceu em terceiro lugar, com 525 km² (queda de 46,4%). Juntos, Pará, Mato Grosso e Amazonas responderam por cerca de 75% da área desmatada no bioma amazônico.
Demais estados amazônicos:
- Roraima: 286 km² (único a apresentar leve alta, de 0,4%)
- Acre: 252 km²
- Rondônia: 149 km²
- Maranhão: 128 km²
- Amapá: 8 km²
- Tocantins: 8 km²
Ações de fiscalização
Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a queda reflete a retomada do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) em 2023, o fortalecimento da fiscalização do Ibama e a aplicação de embargos remotos via imagens de satélite. Adicionalmente, as restrições bancárias à concessão de crédito rural para propriedades irregulares e o apoio das forças estaduais impulsionaram o controle de ilícitos.
“Os números divulgados hoje são uma conquista histórica. Eles colocam o Brasil como protagonista na agenda de proteção das florestas e mostram ao mundo que, com vontade política, é possível frear as motosserras e as emissões de gases de efeito estufa”, diz Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.
Cerrado: avanços e o impacto de Mato Grosso
No bioma Cerrado, cuja porção também abrange trechos estratégicos do estado de Mato Grosso e do agronegócio nacional, a área desmatada acumulada nos últimos quatro anos recuou 48,4% — em 2023, o desmatamento no bioma havia atingido 11.012 km².
Embora o índice atual de 5.516,69 km² seja o menor da série histórica (desde 2001), o ritmo de queda no Cerrado tem sido mais gradual do que na Amazônia. Isso ocorre devido às especificidades do Código Florestal:
No Cerrado, a legislação permite a autorização de desmatamento legal em proporções substancialmente maiores da propriedade privada do que na Amazônia.
Como grande parte do desmate no bioma ocorre sob autorização dos órgãos ambientais estaduais (dentro da legalidade), o uso de multas e embargos remotos não se aplica às áreas regulares.
Para avançar na preservação do Cerrado, especialista e gestores destacam a necessidade de reforçar incentivos econômicos a produtores rurais que mantêm a vegetação nativa além da reserva legal, somados a critérios mais rigorosos de licenciamento ambiental nos estados.
Saiba Mais
Entenda as ferramentas do Inpe:
- Prodes: Sistema de análise detalhada por satélite que consolida a taxa oficial anual (agosto a julho) de remoção completa da vegetação (corte raso) a partir de 6,25 hectares.
- Deter: Sistema de alertas em tempo real operado diária e preventivamente pelo Inpe para direcionar as equipes de fiscalização em campo.

