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Brasil amplia proteção no Pantanal e Cerrado em mais de 148 mil hectares

Brasil amplia proteção no Pantanal e Cerrado em mais de 148 mil hectaresParque Nacional do Pantanal Matogrossense. - Foto: Arquivo/José Medeiros/ICMBio

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Por André Garcia

O governo federal anunciou, neste domingo 22/3, a ampliação de duas unidades de conservação no Pantanal mato-grossense e a criação de uma nova área protegida no Cerrado, em Minas Gerais. Ao todo, mais de 148 mil hectares passam a integrar o sistema federal de proteção ambiental.

O anúncio foi feito durante reunião de alto nível da COP15 da Convenção sobre Espécies Migratórias, em Campo Grande (MS), que começa oficialmente nesta segunda-feira, 23/3. O encontro reúne autoridades e especialistas para discutir a proteção da biodiversidade e fortalecer acordos ambientais.

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), no Mato Grosso, a ampliação atinge o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense e a Estação Ecológica do Taiamã, que juntos somam mais de 104 mil hectares adicionais sob proteção.

A Estação Ecológica do Taiamã passa de 11,5 mil para 68,5 mil hectares. Já o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense salta de 135,9 mil para 183,1 mil hectares. Com isso, o percentual de áreas protegidas no Pantanal sobe de 4,7% para 5,4%.

As duas unidades estão inseridas em uma das regiões mais sensíveis do bioma, marcada pelo chamado “pulso de inundação”, que regula o funcionamento ecológico da planície. Esse ciclo de cheias e secas sustenta a biodiversidade local e garante habitats para espécies como onça-pintada, ariranha e cervo-do-pantanal.

Além da conservação ambiental, a ampliação tem impacto direto sobre atividades econômicas dependentes do equilíbrio do bioma, como pesca e turismo, e pode aumentar a arrecadação de municípios via ICMS ecológico, especialmente em regiões como Poconé e Cáceres.

Água, clima e fogo no centro da decisão

As medidas respondem à pressão crescente sobre os recursos naturais, os efeitos de eventos climáticos extremos, incêndios e desmatamento. Assim, as áreas ampliadas também passam a integrar estratégias de prevenção e controle de incêndios, com reforço de brigadas e integração à Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo.

 “Trata-se de uma medida construída com base em evidências técnicas, escuta qualificada e cooperação institucional, que reforça a proteção de áreas essenciais para o pulso de inundação do Pantanal e a resiliência do bioma frente à mudança do clima”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Nova reserva no Cerrado

Além do Pantanal, o governo criou a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Córregos dos Vales do Norte de Minas, com 40,8 mil hectares. A unidade tem como foco a proteção de nascentes e áreas de uso tradicional, abrangendo municípios como Riacho dos Machados, Rio Pardo de Minas e Serranópolis de Minas.

A proposta combina conservação ambiental com permanência das comunidades locais que utilizam o território para extrativismo e produção tradicional. A nova reserva também se conecta a outras áreas protegidas da região, formando um mosaico de conservação no Cerrado, bioma considerado o berço das águas do país.

Compromissos internacionais

O anúncio ocorre em um contexto de pressão internacional por ampliação de áreas protegidas e preservação de habitats críticos. Segundo o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, a iniciativa fortalece o papel do Brasil na agenda ambiental global.

“Os anúncios representam avanço na implementação dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil e reforçam nosso papel de liderança na proteção de habitats críticos”, afirmou.

 

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