Por André Garcia
O Cerrado é o bioma brasileiro com a maior área de vegetação nativa exposta à degradação. Até 42% da cobertura remanescente do bioma, equivalente a 42,6 milhões de hectares, está potencialmente exposta a fatores como fragmentação, queimadas, corte seletivo de madeira e efeito de borda.
Dados inéditos do MapBiomas, divulgados nesta quarta-feira, 13/5, mostram que entre 1986 e 2023, o número de fragmentos de vegetação nativa no Cerrado cresceu 172%. Hoje, o bioma divide com a Mata Atlântica o maior número absoluto de fragmentos do País, com aproximadamente 2,7 milhões cada.
Mas, no caso do Cerrado, o avanço da fragmentação está diretamente associado ao desmatamento e à divisão de grandes áreas contínuas de vegetação em remanescentes menores e mais isolados.
Segundo Natalia Crusco, coordenadora técnica da Mata Atlântica no MapBiomas, a dinâmica é diferente entre os biomas.
“Enquanto no Cerrado o aumento no número de fragmentos está associado ao avanço do desmatamento e à divisão de grandes remanescentes de vegetação nativa em áreas menores, na Mata Atlântica, parte desse aumento também pode ser explicada pelo surgimento de múltiplas áreas de recuperação da vegetação secundária”, explica.
Com áreas menores e mais isoladas, a vegetação fica mais vulnerável ao fogo, à perda de umidade e às ondas de calor. Os pesquisadores alertam que a fragmentação reduz a capacidade de regeneração natural dos biomas e aumenta a pressão sobre a biodiversidade.
Vegetação mais dividida
Em todo o Brasil, cerca de 134 milhões de hectares de vegetação nativa remanescente já apresentam exposição a pelo menos um vetor de degradação, o que corresponde a 24% da cobertura natural do país.
Os dados mostram que o avanço da fragmentação, observado em todos os biomas brasileiros nas últimas quatro décadas, tem aumentado a vulnerabilidade da vegetação nativa, especialmente em regiões pressionadas pela expansão agropecuária e pela abertura de novas áreas.
O Pantanal registrou o maior crescimento proporcional no número de fragmentos, com alta de 350%, seguido da Amazônia (332%), Pampa (285%), Cerrado (172%), Caatinga (90%) e Mata Atlântica (68%).
Redução nas áreas remanescentes
Além do aumento na quantidade de fragmentos, o levantamento aponta redução no tamanho médio das áreas remanescentes, especialmente na Amazônia e no Pantanal.
Na Amazônia, a área média dos fragmentos caiu de 2.727 hectares em 1986 para 492 hectares em 2023, redução de 82%. No Pantanal, os fragmentos passaram de uma média de 1.394 hectares para 278 hectares no mesmo período, queda de 80%.
Segundo os pesquisadores, fragmentos menores tendem a sofrer maior influência do calor, do vento e da baixa umidade nas bordas da vegetação. Isso aumenta o risco de degradação, reduz a diversidade de espécies e compromete funções ambientais importantes, como a conservação da água e a regulação climática.
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