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Brasil busca solução para fertilizantes na Ásia Central

Brasil busca solução para fertilizantes na Ásia CentralCenário continua pressionando as decisões no campo. Foto: CNA/Wenderson Araujo/Trilux

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Por André Garcia

Diante da instabilidade no mercado internacional de fertilizantes, o governo brasileiro começou a buscar novas rotas e parceiros para garantir o abastecimento nacional. O objetivo é ampliar e tornar mais permanentes as importações de países como Cazaquistão e Uzbequistão, importantes exportadores globais desses insumos.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, o tema norteou as reuniões do ministro Mauro Vieira pela Ásia Central. Acompanhado por uma comitiva empresarial brasileira, ele manifestou, na terça-feira, 12/5, o interesse do Brasil em ampliar o comércio com os dois países.

“Já somos importadores, mas queremos uma importação maior e mais permanente dos fertilizantes que são necessários à nossa produção agrícola”, afirmou o ministro em entrevista à CNN.

Vieira destacou que os dois países somam cerca de 60 milhões de habitantes e representam uma nova fronteira comercial para o Brasil, especialmente por serem produtores de petróleo e exportadores de fertilizantes.

“São dois dos cinco países da Ásia Central, que compõem o C5. É uma fronteira importante econômica, comercial e também política para o Brasil”, explicou. O grupo é formado por Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão.

A movimentação ocorre em meio às tensões no Oriente Médio, que seguem afetando o mercado global de fertilizantes. O fechamento parcial do Estreito de Ormuz, rota estratégica para exportações da região do Golfo, elevou custos logísticos, fretes e seguros marítimos, além de aumentar a preocupação com a oferta global dos insumos.

Segundo análises da StoneX, a combinação entre redução temporária da produção em países do Golfo, gargalos logísticos no Estreito de Ormuz e a escalada dos preços após as tensões militares reduziu a expectativa de que o segundo trimestre funcionasse como uma janela favorável para compras, cenário comum em anos anteriores.

Mercado segue pressionado

Pela terceira semana consecutiva, os preços dos fertilizantes nitrogenados recuam no mercado internacional. No acumulado das últimas três semanas, a queda da ureia chega a 8% no Brasil. Nitrato de amônio e sulfato de amônio também registraram reduções no período.

Mesmo assim, o alívio ainda não foi suficiente para destravar as negociações. Desde o início do conflito no Oriente Médio, as cotações seguem cerca de 53% acima dos níveis observados antes da guerra.

O cenário continua pressionando as decisões no campo. Com menor capacidade de investimento e relações de troca desfavoráveis, produtores podem reduzir a intensidade da adubação ou rever parte do pacote tecnológico, o que pode impactar a produtividade nas próximas safras.

Além da demanda enfraquecida, o relatório trimestral da StoneX aponta riscos também do lado da oferta. Embora o calendário ainda favoreça o Brasil, com cerca de 70% das importações de ureia concentradas a partir de maio, a continuidade do conflito mantém incertezas sobre a disponibilidade do produto ao longo do ano.

 

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