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Crédito rural financiou R$ 92,4 bi em áreas com alertas ambientais

Crédito rural financiou R$ 92,4 bi em áreas com alertas ambientaisImagem de satélite mostra área desmatada em MT, em maio de 2024. Foto: Imazon

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Resumo

  • Cerca de 15% do crédito rural público concedido no Brasil (R$ 92,4 bilhões) foi destinado a propriedades com alertas de desmatamento ou degradação entre 2019 e 2025.
  • Tocantins lidera o ranking nacional em volume financeiro destinado a essas áreas (R$ 13,9 bilhões), seguido por Mato Grosso (R$ 13,3 bilhões) e Rondônia (R$ 13 bilhões).
  • A inclusão dos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) permitiu mais do que dobrar as operações auditadas pelo Monitor do Crédito Rural.
  • Apenas cinco instituições financeiras concentram cerca de 60% de todo o crédito rural do país.
  • O Banco do Brasil lidera em volume financeiro e responde por 33% do crédito em áreas com sobreposição ambiental.
  • O Banco do Nordeste lidera em número de contratos, impulsionado pelo Piauí, que é o estado com mais operações em áreas com restrições (336 mil).
  • A maioria dos recursos de financiamento rural foi voltada para investimentos (68%) e atividades da pecuária (58%).

 

Cerca de 15% de todo o crédito rural público concedido no Brasil entre 2019 e 2025 foi destinado a propriedades que apresentam alertas de desmatamento ou degradação ambiental. Segundo dados da nova edição do Monitor do Crédito Rural do MapBiomas, isso representa R$ 92,4 bilhões (de um total de R$ 613,18 bilhões liberados no período) distribuídos em 831 mil operações com algum tipo de sobreposição ou restrição ambiental.

Nesse cenário, o Mato Grosso é o segundo do país em volume financeiro destinado a imóveis com restrições socioambientais. Somando R$ 13,3 bilhões em financiamentos, o valor coloca o estado atrás apenas do Tocantins (R$ 13,9 bilhões) e à frente de Rondônia (R$ 13 bilhões).

A expansão no rastreamento dessas operações ocorreu porque a nova versão da plataforma incorporou o Cadastro Ambiental Rural (CAR) registrado no Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central. Anteriormente, a verificação dependia apenas da declaração da área exata financiada (gleba). Com a inclusão do CAR, o monitoramento ganhou maior cobertura geográfica e passou a oferecer dados mais precisos sobre o destino do dinheiro público em áreas sensíveis.

De acordo com Paulo Teixeira, pesquisador do MapBiomas, a atualização permitiu mais do que duplicar o volume de operações auditadas pela ferramenta, garantindo mais transparência ao crédito rural brasileiro.

Concentração bancária

Apesar de haver mais de 400 instituições financeiras atuando no crédito rural, apenas cinco concentram cerca de 60% do montante total do país: Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Banco da Amazônia, Sicredi e Banrisul.

  • Banco do Brasil: Lidera o volume financeiro geral no país, acumulando R$ 306 bilhões concedidos. A instituição também responde por 33% de todo o crédito público destinado a imóveis com sobreposição a camadas socioambientais (como áreas com alertas de desmate, terras indígenas, quilombolas e unidades de conservação).
  • Banco do Nordeste: Concentra 56% do total de operações de crédito rural do país e 63% das operações em áreas com restrições ambientais — índice impulsionado pelo Piauí, estado líder em quantidade de contratos nessas condições (336 mil).

Perfil dos financiamentos

No panorama geral do crédito rural público entre 2019 e 2025, grande parte dos recursos financiou atividades ligadas à pecuária:

  • Mais de 68% do montante financiado foi destinado a investimentos.
  • Cerca de 58% cobriram atividades da pecuária.
  • Mais de 23% destinaram-se à compra de animais.
  • A criação de bovinos respondeu por cerca de 27% do total de produtos financiados.

Saiba mais

Sobre as plataformas:

  • Monitor do Crédito Rural: Ferramenta do MapBiomas que cruza dados geoespaciais e ambientais com a base do Sicor/Banco Central para monitorar financiamentos emitidos desde janeiro de 2019, com atualizações mensais.
  • MapBiomas: Rede multi-institucional composta por ONGs, universidades e empresas de tecnologia responsável pelo monitoramento do uso da terra no Brasil para promoção da conservação ambiental e combate às mudanças climáticas.