Por André Garcia
A área sob alerta de desmatamento caiu nos dois maiores biomas do Brasil em 2025: na Amazônia foi de 3.817 km², redução de 8,7% na comparação com 2024. No cerrado, o índice foi de 5.369 km², queda de 9% em relação ao ano anterior segundo dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Este foi o segundo ano consecutivo em que houve queda no desmate em ambas as regiões. Ainda assim, o estrago foi grande: somando os dois biomas, o total de vegetação perdida no ano passado foi de 9.186 km².
O ritmo de queda nas áreas sob alerta de desmate na floresta amazônica vem desacelerando: após atingir mais de 10 mil km² em 2022, o volume caiu pela metade em 2023 e em 2024 teve redução de19%.
À Folha de São Paulo, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) informou que a desaceleração observada em parte de 2024 está associada à seca extrema, que elevou os índices de degradação florestal, especialmente em razão dos incêndios florestais.
“Esse resultado reflete a ampliação contínua, pelo governo do Brasil, das ações de prevenção e combate ao desmatamento e aos incêndios florestais, com atuação interministerial e de órgãos federais”.
Líderes na destruição
Mato Grosso respondeu por quase metade da área desmatada na Amazônia, 1.497 km². Terceiro maior índice da série histórica, iniciada em 2015, o valor representa um aumento de quase 60% em relação a 2024.
Pará (979 km²) e Amazonas (721 km²) também se destacam na região. Apesar do patamar alto, porém, ambos tiveram melhoras nos números, com redução de 36% e 9% do desmatamento, respectivamente.

Crédito: DETER/INPE
Estratégia para desmatamento zero
O MMA também destacou um conjunto de ações adotadas pelo governo federal para alcançar a meta de zerar o desmatamento até 2030.
Entre elas, estão a aceleração dos investimentos do Fundo Amazônia, com R$ 3,6 bilhões aplicados nos últimos três anos; o aumento da verba para fiscalização ambiental; e a implementação do programa União com Municípios, que prevê R$ 785 milhões para o desenvolvimento sustentável de 81 municípios amazônicos.
Início do novo ciclo do Prodes
Nos últimos cinco meses de 2025 os alertas caíram 38% na Amazônia e 14% no Cerrado. Este período marca o início do ano-base do monitoramento do PRODES, que consolida o desmatamento anual com base no intervalo entre agosto de um ano e julho do ano seguinte.
Desta forma, os números do segundo semestre são um indicativo inicial do desempenho ambiental do País no ciclo 2025/2026.
“A partir de agosto de 2025, início de um novo ciclo de monitoramento, os alertas do Deter ficaram abaixo dos registrados no mesmo período do ano anterior, indicando a continuidade da redução” ressalta o Ministério.
Na Amazônia, os alertas de desmatamento somaram 1.160,59 km² entre agosto e dezembro de 2025, contra 1.869,41 km² registrados em 2024. Já no Cerrado, os alertas somaram 1.487,99 km² no final de 2025, uma queda de 14% em relação a 2024, quando o registro foi de 1.732,86 km².
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