Resumo:
- Mato Grosso tem a segunda maior malha de estradas da Amazônia, com 133,3 mil km, 21,6% dos 618 mil km mapeados no bioma, atrás apenas do Pará, segundo o MapBiomas.
- Na Amazônia, a agropecuária cobre 40% das áreas a até 5 km das estradas, e a participação cai para 26,7% num raio de 20 km.
- Na BR-364, a agropecuária ocupa 43,5% da faixa de 20 km, a maior proporção entre as principais rodovias do bioma; na BR-163, são 39%.
- No entorno de 5 km das áreas protegidas do bioma, a agropecuária cresceu 561% desde 1985 e já ocupa 31% da faixa, enquanto dentro delas a vegetação nativa cobre 98%.
Por André Garcia
A agropecuária da Amazônia segue o traçado das estradas e cobre 40% das áreas a até 5 quilômetros (km) das vias, que levam a produção aos portos e conectam as cidades da região. Ao mesmo tempo, a atividade avança sobre o entorno das áreas protegidas e responde por 31% da faixa de 5 km ao seu redor, aumentando a pressão sobre a floresta.
Dados divulgados pelo MapBiomas nesta quarta-feira, 14/10, mostram que Mato Grosso tem a segunda maior malha de estradas da Amazônia, com 133,3 mil quilômetros (km), atrás apenas do Pará.
“O avanço da infraestrutura, especialmente quando acompanhado pela abertura de ramais e acessos secundários, requer atenção a curto e a longo prazo, pois pode conectar fronteiras de desmatamento, exploração de madeira, ocupação irregular em extensas áreas de vegetação nativa e áreas protegidas”, explica Bruno Ferreira, pesquisador do MapBiomas.
Números do MapBiomas também mostram que o desmatamento na Amazônia atingiu seu menor nível em 41 anos.
BR-364 lidera ocupação entre rodovias
Quanto mais longe das vias, menor é a presença da atividade e maior a da vegetação nativa. Na faixa de até 5 km, a agropecuária soma 63 milhões de hectares (ha), e a vegetação nativa cobre 56,7% da área. Quando o raio aumenta para 20 km, a fatia da agropecuária cai para 26,7%, e a da vegetação nativa sobe para 69,3%.
Além disso, o padrão muda de uma rodovia para outra. Na BR-364, a agropecuária ocupa 43,5% da faixa de 20 km. Na BR-163, que liga Mato Grosso aos portos do Pará, são 39%. Já na BR-319, entre Manaus e Porto Velho, a vegetação nativa ainda cobre 86% da mesma faixa.
As análises resultam do cruzamento de mapas de cobertura e uso da terra com as bases de estradas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e do OpenStreetMap, incluindo vias que não fazem parte da malha oficial.
Agropecuária avança no entorno de áreas protegidas
O bioma tem 618 mil km de estradas, e 41,5 mil km delas cortam áreas protegidas, que reúnem terras indígenas, unidades de conservação e territórios quilombolas. Dentro desses territórios, a vegetação nativa ainda responde por 98% da cobertura.
No entorno, o quadro é outro. Num raio de 5 km dessas áreas, a agropecuária cresceu 561% desde 1985 e já ocupa 31% da faixa.
“As áreas protegidas desempenham um papel fundamental na conservação do bioma, funcionando como uma espécie de barreira à transformação da paisagem e mantendo grandes extensões de vegetação nativa. À medida que estradas, outras atividades e novas formas de ocupação se aproximam de seus limites, essas áreas também passam a sofrer pressões crescentes”, diz Ives Brandão, da equipe da Amazônia do MapBiomas.
Saiba mais
A porção amazônica de Mato Grosso- Mato Grosso tem território em três biomas: Amazônia, Cerrado e Pantanal. A porção amazônica corresponde à parte do estado dentro dos limites do bioma Amazônia, concentrada no norte e no noroeste.
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