HomeEcologia

Mais 90% de desmate na Amazônia é ilegal

Mais 90% de desmate na Amazônia é ilegalMesmo após queda no desmate, bioma segue ameaçado. Foto: Mário Vilela/Funai

Mato Grosso queimou área maior que Alemanha entre 1985 e 2022
Baixo controle sobre cadeia da carne prejudica investimentos no setor
Em 2022, MT devastou área na Amazônia maior que São Paulo

Por André Garcia

Dois municípios de Mato Grosso, Nova Maringá e Colniza, estão entre os 10 com maior número de registros de desmatamento ilegal na Amazônia. A informação faz parte de levantamento do Instituto Centro de Vida (ICV) que mostra que 90,8% do desmate registrado no bioma entre agosto de 2023 e julho de 2024 não foi autorizado.

Os dados foram obtidos a partir do cruzamento de dados do sistema PRODES, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do Sinaflor e de bases estaduais. Para o coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV, Vinícius Silgueiro, eles reforçam que, mesmo após queda de 30% no desmatamento, a Floresta ainda está sob pressão.

“Para além do importante aumento das ações de fiscalização e responsabilização, são necessários esforços e mecanismos que inviabilizem economicamente as áreas desmatadas ilegalmente, para acabar com a lógica que aparentemente vigora, de que o desmatamento ilegal compensa”, apontou.

Fazem parte da lista do ICV os municípios de Novo Aripuanã (AM); Altamira (PA); Itaituba (PA); Nova Maringá (MT); Lábrea (AM); Porto Velho (RO); Apuí (AM); Colniza (MT); Portel (PA) e Santa Maria das Barreiras (PA).

Desmatamento autorizado

Por outro lado, o Cerrado abriga todos os 10 municípios com mais desmatamento autorizado, o que não significa que a ameaça na região seja menor. No bioma a taxa de desmatamento ilegal de 51,1% é resultado da flexibilização da legislação, que permite o desmate de até 80% das propriedades.

“Esse cenário requer especial atenção ao controle e condições das autorizações emitidas, visto a pressão que a região sofre com o avanço das áreas de produção agrícola, e considerando ainda a necessidade de redução do desmatamento de uma forma geral nos biomas brasileiros”, destacou Silgueiro

No Cerrado, os municípios com maior taxa de desmatamento legal estão no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, região conhecida como (Matopiba). São eles: Balsas (MA); São Desidério (BA); Ponte Alta do Tocantins (TO); Rio Sono (TO); Paranã (TO); Caxias (MA); Sebastião Leal (PI); São Félix de Balsas (MA); Pium (TO) e Loreto (MA).

Sistema único

De acordo com o ICV, o levantamento verificou que somente em oito dos 16 estados compostos pela Amazônia e Cerrado há uso de sistemas de autorizações de desmatamento estaduais e do Sinaflor conjuntamente: Amazonas; Pará; Mato Grosso; Bahia; Minas Gerais; Goiás; São Paulo e Rondônia.

Isso reforça a necessidade de um sistema único de autorizações, o que vai ao encontro de determinação recente do Supremo Tribunal Federal (STF) para a utilização do Sinaflor. O coordenador do programa de Transparência e Justiça Climática do ICV, Marcondes Coelho, aponta ainda que a medida aumenta a transparência pública dos dados.

“O desmatamento ilegal prospera na falta de transparência. Sem a garantia de acesso a todas as autorizações de desmate, a sociedade reduz sua capacidade de fiscalizar e cobrar medidas eficazes contra o desmatamento ilegal. Isso abre brechas para irregularidades e enfraquece a fiscalização ambiental”, disse.

Assim, a unificação dos sistemas diminui a fragmentação dos dados entre diferentes órgãos estaduais e municipais, dificultando fraudes e aumentando a rastreabilidade das autorizações. Se bem implementada, essa decisão pode se tornar um marco no combate ao desmatamento ilegal.

 

LEI MAIS:

Desmatamento cai 7% e degradação cresce 497% na Amazônia

Projeto que amplia desmatamento no Cerrado avança na ALMT

Após ano crítico, Pantanal ganha plano de combate à queimadas e desmatamento

IA projeta alta do desmatamento na Amazônia em 2025

75% do desmatamento registrado em Mato Grosso em 2024 é ilegal

Desmatamento no Cerrado pode inviabilizar agronegócio, diz estudo

Desmatamento na Amazônia chega a menor taxa em 10 anos