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Na Agrishow, setor cobra divulgação de histórico ‘sustentável’ do agro

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Em debate no Agrishow Experience na manhã desta quarta-feira, 20/10, especialistas foram unânimes em afirmar que o agronegócio brasileiro já é sustentável, mas ninguém sabe disso. Para exemplificar, Celso Moretti, presidente da Embrapa, falou de uma experiência recente que teve com a visita de Alok Sharman, presidente da COP-26, e do embaixador britânico, Peter Wilson, ao sistema de Integração Lavoura Pecuária Floresta (iLPF) da Embrapa Cerrados, próximo de Brasília. “Ele (Alok) ficou maravilhado, impressionado com o que viu. Ele disse ‘poxa, vocês têm que contar para o mundo o que estão fazendo”, afirmou Morretti.

Eduardo Daher, da Associação Brasileira de Agronegócio, lembrou a frase da mulher do imperador Júlio Cesar de que “não basta ser honesta, tem que parecer honesta” para ressaltar a importância da divulgação das boas práticas da agricultura brasileira e do potencial dos nossos recursos.

“Nós temos uma preocupação muito grande de que estamos fazendo um trabalho correto, mas não estamos conseguindo nos comunicar e divulgar essa competência. E uma pequena parcela daqueles que não fazem parte do agronegócio que nós conhecemos e militamos têm atrapalhado e muito a imagem do Brasil lá fora”, disse.

Daher comentou ainda sobre o privilégio de o Brasil ter duas safras e poder incorporar uma terceira, que é a do carbono verde. “Nós temos uma safra de carbono incomensurável que o Brasil pode explorar não só no agronegócio, mas sobretudo se nós mantivermos as florestas nativas”, disse.

Chirstian Lohbauer, da Croplife Brasil, afirma que a agricultura brasileira vem de um processo sustentável não é de hoje, sustentado pela indústria de biodefensivos. “Quando se desenvolve novas moléculas, elas são menos tóxicas e mais eficientes. Faz parte do processo cientifico do desenvolvimento desses produtos. Ela já vem fazendo isso há décadas, independente da agenda sustentável”.

Ele cita como sustentável a produtividade resultante da tecnologia que faz com que se use menos terra pra produzir mais alimentos. De acordo com Lohbauer, há  espaço para dobrar ou triplicar a área hoje utilizada pela lavoura, sem destruir biomas.

“Nas fotos de satélite recentes, 66% do território nacional está como Pedro Álvares Cabral encontrou quando chegou aqui em 1500. E 26% destes 66% são preservados por empresas ou indivíduos, ou seja, são áreas privadas. Isso mostra o compromisso do dono da terra com a proteção do meio ambiente. É claro que existe gente irresponsável gente fazendo coisa errada, ocupando terras. Mas o Brasil é uma potencia agroambiental. Isso é uma realidade. Só tem que insistir em mostrar dados e fatos”.

Moretti registrou como o Brasil fez uma fantástica transformação ao longo das últimas cinco décadas, deixando de ser um país que importava alimentos para se transformar num dos maiores players globais na produção de alimentos, fibras e bioenergia. “Nós fizemos isso por meio da ciência e da tecnologia”, disse.

‘Obstáculos vencidos’

Ele destacou três grandes pilares que possibilitaram essa mudança: transformar solos ácidos e pobres em terra fértil, sobretudo nos Cerrado brasileiros; tropicalizar cultivos e animais, como a soja, o trigo, pastagens e raças de bovinos indianas e europeias; desenvolver uma plataforma de produção sustentável que envolve plantio direto, fixação biológica de nitrogênio, integração lavoura pecuária floresta, controle biológico, tratamentos de dejetos, tudo em busca de agricultura de baixo carbono.

Segundo ele, a agricultura passou por três ondas de desenvolvimento no Brasil: o da expansão motivada pela ciência, o aumento da produtividade, com controle de pragas e adaptação de cultivos, e o avanço na sustentabilidade

“Hoje o Brasil cultiva quase 70 milhões de hectares em primeira e segunda safra, tendo políticas de descarbonização e sustentabilidade da sua agricultura, de sua produção de alimentos, fibras e bioenergia”, disse. Ele  citou o Código Florestal, o Plano Agricultura de Baixo Carbono, o ABC+, o Renova Bio e o Programa Nacional de Solos  como importantes ferramentas para o desenvolvimento da sustentabilidade do agro brasileiro.

“Não tenho dúvida de que o Brasil deve participar (da COP-26) para mostrar para o mundo como nós produzimos alimentos, fibras e bioenergia de forma competitividade e de forma sustentável, com uma agricultura que é movida à ciência”, disse Moretti.

Para Daher,  o Brasil tem que se mostrar uma potência agroambiental. “Nós  temos que fazer a lição de casa. Fizemos um bom trabalho, temos feito uma evolução. Quando se fala em ILPF , você põe no conjunto bem-estar animal, independente de tudo aquilo que está sendo feito em termos de aumentar produtividade, buscar a rentabilidade sem derrubar uma árvore, sem colocar fogo em lugar nenhum, sem prejudicar Amazônia”, afirmou.

O desafio agora é exatamente esse: evitar o desmatamento da Amazônia, e enfrentar as mudanças climáticas advindas deste e de outros ataques ao meio ambiente no Brasil e no mundo. A falta de chuva, as tempestades de poeira, as enchentes, a salinização de rios, entre muitos outros fenômenos, já fazem parte da realidade.