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Plano federal mira seca e fogo no Centro-Oeste

Plano federal mira seca e fogo no Centro-OesteRisco severo incêndios no centro-oeste. Foto: Mairinco de Pauda/CPA-CBMMS

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Resumo

  • O Governo Federal apresentou cenários de preparação contra os impactos do El Niño após alinhamento com prefeitos e governadores por meio de Diálogos Federativos.
  • A OMM indicou quase 100% de probabilidade de o El Niño persistir até fevereiro de 2027, podendo se tornar o mais intenso já registrado devido a temperaturas recordes no Pacífico.
  • No Centro-Oeste, o produtor rural enfrenta uma combinação de chuvas abaixo da média, calor, seca e risco severo de incêndios, ameaçando lavouras e culturas de verão.
  • Com investimento de R$ 337 milhões, os recursos serão direcionados para fiscalização ambiental e estruturação de brigadistas e Bombeiros no Cerrado, Pantanal e parte do Norte.
  • O Inmet ampliou as estações meteorológicas digitais de 7 (em 2023) para 243 (em 2026), e o Cemaden cobriu 434 municípios com pluviômetros.
  • Na Saúde Pública, foi criado o Centro de Informação em Saúde e Clima (CISC) e descentralização da Força Nacional do SUS para combater agravos de fumaça e calor.
  • A orientação é para que estados e municípios mantenham planos de contingência ativos e mapeiem pontos críticos.

 

Como cada região deve-se preparar para enfrentar os impactos do El Niño em todo o País?  O Governo Federal detalhou na quarta-feira, 2/9,   agenda de medidas, após encontros voltados a alinhar com prefeitos e governadores as estratégias de resposta da União e as ferramentas disponíveis para uma atuação conjunta.

O plano ganha contornos de urgência máxima diante do alerta da Organização Meteorológica Mundial (OMM) nesta quinta-feira, 3/9: o fenômeno tem quase 100% de probabilidade de persistir até fevereiro de 2027, impulsionado por temperaturas recordes no Oceano Pacífico, com risco real de se tornar o mais intenso já registrado na história.

De acordo com a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, já estão sendo registradas devastações causadas por secas e inundações, e a projeção é que os impactos aumentem à medida que o fenômeno se intensifique.

“Este El Niño excepcional exige preparação e resposta excepcionais. Nunca antes nos 50 anos de história da Organização Meteorológica Mundial lançamos uma mobilização tão grande com os Serviços Meteorológicos e Hidrológicos Nacionais”, completou.

Seca e incêndios

Para o produtor rural do Centro-Oeste, a ordem é preparação e cautela. O novo boletim da Sala de Situação — que reúne órgãos como Inmet, Cemaden e Defesa Civil — aponta que a região enfrentará uma combinação perigosa de chuvas abaixo da média, temperaturas elevadas, seca e risco severo de incêndios, ameaçando o estabelecimento das culturas de verão e o manejo das lavouras.

Para blindar as regiões mais vulneráveis, o pacote federal injeta  R$ 337 milhões direcionado especificamente ao reforço da fiscalização ambiental e à estruturação de brigadistas e Corpos de Bombeiros no Cerrado, Pantanal e parte da Amazônia.

A estrutura de monitoramento e alertas também foi encorpada para dar suporte técnico a quem está na ponta. O Inmet expandiu sua rede de estações meteorológicas digitais de 7 unidades em 2023 para 243 em 2026, enquanto a cobertura do Cemaden chegou a 434 municípios equipados com pluviômetros.

Na saúde pública, a criação do Centro de Informação em Saúde e Clima (CISC) e a descentralização da Força Nacional do SUS buscam dar suporte rápido a surtos de doenças e agravos gerados pela fumaça e pelo calor extremo.

A estratégia por região

Durante a apresentação das diretrizes, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, destacou que o enfrentamento exige ciência, planejamento e ação coordenada, reforçando que o El Niño impacta cada canto do país de forma distinta:

  • Centro-Oeste: Foco total no combate a incêndios e na proteção de lavouras ameaçadas pela estiagem prolongada e pelo tempo seco.
  • Norte: Risco acentuado de seca severa e avanço de focos de fogo em áreas ambientalmente sensíveis.
  • Nordeste: Alerta para o atraso das chuvas, com reflexos diretos na produção agrícola de polos como o Matopiba (Cerrado).
  • Sudeste: Preocupação com ondas de calor intenso e risco elevado de incêndios.Sul: Tendência oposta, com probabilidade de excesso de chuvas e tempestades.
  • Sul: Probabilidade de excesso de chuvas e tempestades.

O plano integrado orienta prefeituras e governos estaduais a manterem planos municipais de contingência ativos, mapeando pontos críticos para garantir pronta resposta durante todo o ciclo de pico do fenômeno climático.