Resumo
- O boletim do Painel El Niño 2026-2027 aponta que a primavera (setembro a novembro) trará chuvas acima da média no Sul e precipitações abaixo do normal no Centro-Norte, acompanhadas de calor e déficit hídrico.
- No Centro-Oeste, a escassez de chuvas e as altas temperaturas em estados como Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal podem atrasar o plantio das culturas de verão, embora facilitem a reta final das colheitas.
- Centenas de municípios enfrentam riscos de incêndios (divididos em Alerta Alto e Alerta), concentrados principalmente em Mato Grosso, sul do Amazonas e Pará, cobrindo uma vasta extensão territorial.
- O número de Unidades de Conservação em seca severa subiu para 14, e o de Áreas Indígenas afetadas saltou para 17, com impactos severos no Pará, Tocantins, Mato Grosso e Amazonas
- Na Amazônia, os níveis dos rios estão heterogêneos e sem repetir o padrão crítico generalizado de 2023 e 2024, mas a previsão de chuvas baixas em vários estados da região pode atrasar o início da estação chuvosa.
- A estação deve registrar de três a cinco ondas de calor, superando a média histórica devido à combinação do fenômeno climático com os efeitos contínuos do aquecimento global.
O Painel El Niño 2026-2027 divulgou seu novo boletim com um panorama que divide o país na próxima estação: enquanto o Sul se prepara para chuvas acima da média e riscos de tempestades, o Centro-Norte enfrenta o desafio de chuvas escassas, calor intenso e alerta elevado para incêndios. Desenvolvido em conjunto por órgãos federais como Inmet, Inpe e Cemaden, o documento analisa o trimestre de primavera (setembro, outubro e novembro), detalhando os impactos diretos na agricultura, nos recursos hídricos e na defesa civil.
Na região Centro-Oeste, especialmente em Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, a escassez de chuvas e as altas temperaturas prometem dificultar o início do plantio das culturas de verão, embora o tempo seco ajude a finalizar as últimas colheitas.
O cenário mais grave, no entanto, é o risco de queimadas. O boletim aponta 514 municípios classificados em nível de Alerta Alto e outros 706 em Alerta, abrangendo aproximadamente 5,85 milhões de km². — com foco crítico em Mato Grosso, sul do Amazonas e Pará.
A seca também avança com força em áreas vulneráveis: o número de Unidades de Conservação em condição de seca severa dobrou (de 7 para 14), e o total de Áreas Indígenas afetadas saltou de três para 17, comprometendo a umidade do solo e a recuperação dos rios.
O agravamento ocorreu principalmente em áreas do Pará, Tocantins, Mato Grosso e Amazonas.
Panorama na Amazônia e ondas de Calor
Apesar da preocupação com o Centro-Norte, a situação hidrológica na Amazônia não repete o quadro extremo e generalizado visto em 2023 e 2024, apresentando níveis de rios mais heterogêneos. Contudo, a previsão para os próximos meses aponta chuvas abaixo da média em vários estados da região, o que pode atrasar o início da estação chuvosa.
É o caso do Amapá, Roraima, Pará, Maranhão, Amazonas, Acre, norte de Mato Grosso, além do norte e centro de Tocantins e de Rondônia.
Para completar, a primavera deve ser marcada por mais calor: a média histórica de duas a três ondas de calor por trimestre pode subir para até cinco episódios sob a influência do fenômeno climático e do aquecimento global. As temperaturas devem permanecer acima da média em toda a Amazônia Legal e no Pantanal.

