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Produtores falam dos benefícios de ter energia solar em suas fazendas

Produtores falam dos benefícios de ter energia solar em suas fazendas

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Por Vinicius Marques

Você sabia que um número crescente de produtores do nosso Estado tem instalado, em partes ou integralmente, o sistema de geração fotovoltaica de energia em suas fazendas? Além de sustentáveis, os painéis solares são econômicos e, a médio prazo, trazem retorno financeiro para o agricultor.

Segundo o presidente do Conselho de Administração da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), Ronaldo Koloszuk, em comunicado à imprensa, a energia fotovoltaica é rápida de instalar e ajuda a aliviar o bolso dos consumidores, reduzindo em até 90% seus gastos com eletricidade.

Energia competitiva e limpa é fundamental para o país recuperar a sua economia e conseguir crescer. A fonte solar é parte desta solução e um verdadeiro motor de geração de oportunidades e novos empregos”, diz Koloszuk.

Conversamos com Geraldo Paixão, produtor de gado leiteiro, e João Alexandre, gerente administrativo da Granja Bom Futuro I, da Fazenda Irmãos Hoffmann. Ambos os locais passaram pela instalação dos geradores solares e já somam benefícios. Conheça mais sobre a experiência de cada um deles e o que eles têm achado até o momento.

Agropecuários e geradores solares: grandes aliados

Em uma fazenda de pequeno porte no município de Sinop, Geraldo Paixão, produtor de gado leiteiro, gastava cada vez mais por conta do encarecimento da energia elétrica. Foi a partir da palestra da representante de uma companhia de geração solar que ele entendeu os benefícios desse tipo de sistema e decidiu implantar em seu terreno.

A gente gasta com ordenha, resfriador, bomba d’água… Isso tudo estava saindo caro.Mas agora eu tenho a intenção de usar [a energia solar] até para a silagem do pasto”, afirma Paixão.

O processo de instalação na fazenda de Geraldo, onde reside com a família, foi de 15 a 20 dias. Já para o banco aprovar o financiamento, ele esperou por quase dois meses. Concomitantemente, o produtor também aguardou por cerca de três meses até que a concessionária de energia realizasse a vistoria, aprovasse o projeto e trocasse o medidor.

Eu consegui o financiamento para pagar em dez anos, com dois de carência. Eu gastei 56 [mil reais], só que na hora de pagar sairá de 64 a 66 mil”, explica o produtor.

Para Leandro Hoffmann, um dos proprietários da Fazenda Irmãos Hoffmann, a transição de sua granja ao modelo fotovoltaico foi diferente. Dividida em três unidades, uma em Lucas do Rio Verde e duas em Sorriso,  a Granja Bom Futuro conta com 48 aviários e é integrada ao grupo BRF SA. No ano de 2020, o proprietário sentiu a necessidade de instalar uma fonte de energia mais limpa e lucrativa, recorrendo aos serviços da empresa Solturi.

Segundo João Alexandre, gerente administrativo da Granja Bom Futuro I, em Lucas do Rio Verde, o processo todo foi muito rápido. Da compra até o acionamento da primeira usina foram cerca de  4 meses e, desde dezembro de 2020, eles já sentem o alívio no bolso.

Em uma granja, o momento de maior demanda de energia tende a ser na fase final do lote. Na Bom Futuro, o abatimento ocorre aos 42 dias de idade das aves. Com isso, a partir do trigésimo quinto dia, o consumo elétrico aumenta, especialmente por conta do uso do sistema de refrigeração e ventilação.

A energia no geral representa cerca de 33% do custo de produção total. O nosso gasto mensal era muito alto. Então uma fonte renovável com preço acessível foi uma saída excelente. Quando apresentaram a ideia para o Leandro, ele concordou na hora.”

A cada quatro aviários, a Granja Bom Futuro I possuía dois canteiros centrais que eram obsoletos. Hoffmann então aproveitou esses gramados para instalar as estruturas de cada uma das sete usinas solares.

Na unidade de Lucas do Rio Verde, são seis usinas, cada uma com uma área de 83 x 9m, além de outra que é um pouco maior e mais recente”, detalha João Alexandre.

 Sistema de créditos On-Grid

A granja Bom Futuro conta hoje com um total de 3.936 placas solares instaladas nas três unidades. No entanto, a geração de créditos do sistema fotovoltaico ainda é baixa e a equipe já identificou alguns detalhes de gestão interna que precisam ser corrigidos. João Alexandre conta que há ainda certo desperdício no horário de ponta (das 17h30 às 20h30), momento em que a tarifa é mais alta, por isso eles têm buscado alternativas para reduzir o consumo nessa hora do dia.

 No geral, estamos conseguindo produzir o suficiente para atender à nossa demanda. Acredito que, conseguindo solucionar esses problemas, até metade do ano estaremos gerando um bom crédito para o nosso consumo”, conclui o gerente da granja.

Geraldo Paixão, por sua vez, considera que fez um bom investimento e já percebe a economia que os painéis solares proporcionam.

Com o tempo nublado, as placas estão produzindo 53 a 55 quilowatts por dia. Nós vamos gastar [diariamente], em média, 25 KW”. A expectativa, segundo as projeções feitas pela empresa que prestou o serviço, é de que o sistema gere entre 1.200 a 1.600 KW por mês”, comemora o produtor.

 Ao final do dia, o sistema de geração fotovoltaica utiliza energia da rede de distribuição da concessionária local, considerando os créditos acumulados pelo produtor. Geraldo Paixão pretende utilizar o excedente produzido em uma propriedade que tem em área urbana e também no processo de silagem.

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