Resumo
- O Brasil pode ultrapassar os Estados Unidos e se tornar o maior exportador agrícola do mundo, possivelmente ainda em 2026, segundo projeção do Financial Times. Em 2025, a diferença foi de apenas 1% (US$ 171 bilhões para os EUA contra US$ 169 bilhões do Brasil).
- O Brasil já teria superado os Estados Unidos como o maior exportador mundial de algodão, impulsionado por um aumento de 24,3% nos embarques em contêineres.
- Após as tarifas impostas pelos EUA em 2018, a China reduziu compras americanas e aumentou drasticamente as importações do Brasil. Em 2025, o Brasil vendeu mais de 80 milhões de toneladas de soja para os chineses, enquanto os EUA exportaram menos de 10 milhões.
- O avanço brasileiro é impulsionado por terras mais baratas, até três safras anuais em algumas regiões, correção de solos e tecnologias tropicais. Em contrapartida, os EUA lidam com margens apertadas e dependência do mercado interno (como o uso de 40% do milho para etanol).
- Mato Grosso é o foco de uma seção da reportagem (“The rise of Mato Grosso”), com cidades como Sorriso e Lucas do Rio Verde exemplificando o crescimento econômico gerado pelo agronegócio.
- O jornal alerta para fatores que podem frear o crescimento, como juros domésticos altos, queda nos preços das commodities, encarecimento de fertilizantes, tensões geopolíticas (entre EUA e China) e conflitos no Oriente Médio.
O Brasil pode tirar dos Estados Unidos o posto de maior exportador agrícola do mundo, possivelmente ainda em 2026, segundo projeção do jornal britânico “Financial Times”. A reportagem trata o cenário como condicional: não há prazo fechado nem ultrapassagem confirmada.
A distância já é pequena. Em 2025, os norte-americanos ainda lideravam, com US$ 171 bilhões em exportações agropecuárias, contra cerca de US$ 169 bilhões do Brasil, uma diferença de pouco mais de 1%. Em 2021, eram US$ 56 bilhões.
Neste ano, as vendas externas brasileiras seguem em alta: cresceram 6% no primeiro semestre, para um recorde de US$ 87 bilhões, segundo a CNN Brasil, e subiram 12,8% em setembro sobre o mesmo mês de 2025, chegando a US$ 6,17 bilhões, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Falta, porém, um número atualizado dos Estados Unidos para 2026, o que impede comparar os dois países no mesmo período.
No algodão, a virada já teria acontecido. O Financial Times afirma que o Brasil passou os norte0americanos como maior exportador, e cita dados da Datamar que mostram alta de 24,3% nos embarques em contêineres no acumulado do ano.
Boa parte da mudança vem da China. Depois das tarifas impostas por Donald Trump em 2018, os chineses reduziram as compras de soja dos Estados Unidos e passaram a buscar o produto, além de algodão, no Brasil. Em 2025, o Brasil vendeu mais de 80 milhões de toneladas de soja à China, enquanto os embarques dos Estados Unidos ficaram abaixo de 10 milhões.
O jornal, no entanto, faz questão de dizer que o avanço brasileiro não se explica apenas pela política comercial norte-americana. Ele aponta mudanças estruturais ao longo de décadas: terra mais barata, até três safras por ano em algumas regiões, correção de solos pobres em nutrientes e variedades adaptadas ao clima tropical.
Do lado de lá, pesam margens apertadas, tarifas imprevisíveis e a dependência do mercado interno. Cerca de 40% do milho dos Estados Unidos vai para a produção de etanol.
Mato Grosso é o foco da reportagem, que dedica uma seção ao estado, intitulada “The rise of Mato Grosso” (“A ascensão de Mato Grosso”). Sorriso e Lucas do Rio Verde aparecem como exemplos de cidades que cresceram em torno do agronegócio.
O Financial Times também lista riscos para a continuidade da expansão brasileira: juros domésticos altos, queda nos preços das commodities e custo crescente dos fertilizantes. Em 2026, o jornal cita ainda as tensões entre Estados Unidos e China e os efeitos do conflito entre Irã e Israel sobre o comércio global e os preços dos fertilizantes, insumo que o Brasil importa em sua maior parte.

