Resumo
- A Conab projeta um novo recorde na safra de grãos 2026/2027, estimando a colheita em 361,7 milhões de toneladas, valor 2,6% superior à temporada anterior e impulsionado pelo desempenho da soja e do milho.
- A área total de plantio no país subiu 1,7%, alcançando 83,5 milhões de hectares, com destaque para a expansão nas lavouras de sorgo (32,9%), milho (3,5%) e soja (2,7%).
- O clima recente favoreceu a colheita no Centro-Oeste e Sudeste com tempo seco, mas trouxe chuvas excessivas ao trigo e geadas no Sul. Sob o El Niño, prevê-se seca no Norte/Nordeste e excesso de chuvas no Sul até novembro.
- A soja atinge produção histórica de 180,4 milhões de toneladas (alta de 5,2%) e prevê exportações recordes de 116,2 milhões de toneladas.
- O milho alcança 144 milhões de toneladas no total (alta de 2%), com produtividade recorde na primeira safra e forte volume na segunda safra.
- O algodão projeta recorde de 4,14 milhões de toneladas de pluma, impulsionado pelo aumento de 4,9% na produtividade.
- O arroz registra queda de 13,2% na produção (11,08 milhões de toneladas) devido à migração de área cultivada para soja e milho.
- O feijão recua 3,6% (2,95 milhões de toneladas) por redução na área plantada, mas mantém atendimento à demanda interna de 2,7 milhões de toneladas.
- O trigo sofre a maior retração do ciclo (-27,1%), somando 5,74 milhões de toneladas e elevando a projeção de importações para 7,06 milhões de toneladas.
A Conab projeta um novo recorde para a safra 2026/2027 : a estimativa é que o Brasil colherá r 361,7 milhões de toneladas. O volume representa uma alta de 2,6% em relação à temporada anterior e de 0,3% frente ao levantamento de agosto. O salto se deve principalmente pelo vigor da soja e do milho. As informações são do 12º Levantamento do Boletim da Safra de Grãos, publicado nesta terça-feira, 15/9.
Segundo a companhia, a área de plantio no País cresceu 1,7% em comparação com o ciclo 2024/25, alcançando 83,5 milhões de hectares. Os maiores incrementos ocorreram na cultura da soja, que incorporou 1,3 milhão de hectares (2,7%), no milho, com aumento de 762,5 mil hectares (3,5%), e no sorgo, com alta de 32,9% (537 mil hectares).
O tempo seco favoreceu a colheita no Centro-Oeste e no Sudeste, enquanto o Sul sofreu com o excesso de chuvas no trigo e registros de geada. Sob a influência do El Niño de setembro a novembro, o cenário deve se dividir entre chuvas abaixo da média no Norte e Nordeste e risco de excesso hídrico no Sul.
Principais destaques por cultura:
Soja – A safra de soja está projetada em 180,4 milhões de toneladas, a maior produção já registrada na série de acompanhamento da Conab. O montante representa uma alta de 5,2% sobre o ciclo anterior, com expansão de 2,7% na área plantada e ganho de 2,5% na produtividade. As exportações devem atingir patamar recorde com embarques previstos em 116,2 milhões de toneladas.
Feijão – A produção de feijão é estimada em 2,95 milhões de toneladas, o que confirma um recuo de 3,6% em relação ao período anterior. A retração decorre principalmente da redução de 5,7% na área cultivada, embora o rendimento médio tenha crescido 2,2%, alcançando 1.161 kg/ha. Para o abastecimento doméstico, a demanda projetada é de 2,7 milhões de toneladas, mantendo o patamar da safra passada.
Algodão – Para o algodão, a previsão indica 4,14 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26, nível mais elevado da série histórica. Mesmo com a retração de 3,2% na área cultivada (estimada em 2,02 milhões de hectares), a produtividade das lavouras avança 4,9% e atinge o pico de 2.053 kg/ha de pluma. A produção supera em 1,5% o resultado de 2024/25 e fica 1,4% acima da estimativa de agosto.
Arroz – A safra de arroz deve somar 11,08 milhões de toneladas em 2025/26, o que significa uma queda de 13,2% em relação ao ciclo anterior. A retração reflete principalmente a redução de 14% na área plantada – calculada em 1,52 milhão de hectares –, apesar do ganho de 1% na produtividade média, que chega a 7.303 kg/ha. Segundo o levantamento da Conab, a opção por menor área decorre de preços menos remuneradores ao produtor e da migração para culturas como soja e milho.
Milho – O volume total de milho está calculado em 144 milhões de toneladas, crescimento de 2% sobre a temporada anterior. A primeira safra registra produtividade recorde de 7.191 kg/ha (alta de 8,8%), enquanto a segunda safra prevê 112,1 milhões de toneladas, ficando apenas 1% abaixo do recorde anterior. Já a terceira safra deve recuar 20,1%, fechando em 2,39 milhões de toneladas.
Trigo – A produção de trigo deve alcançar 5,74 milhões de toneladas em 2025/26, queda de 27,1% em relação ao ciclo passado. O recuo reflete a redução de 21,2% na área cultivada e da menor produtividade média (2.978 kg/ha, queda de 7,5%). Com a retração na oferta nacional, as importações do cereal são estimadas em 7,06 milhões de toneladas.

