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El Niño pode fazer safra de soja cair 5% em Mato Grosso

El Niño pode fazer safra de soja cair 5% em Mato GrossoFenômeno deve chegar no início do ciclo da soja. Foto: Aprosoja

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A possibilidade de atuação do fenômeno El Niño durante o início do ciclo da soja em Mato Grosso já influencia as projeções para a safra 2026/27. Segundo boletim divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a combinação entre risco climático, custos elevados e crédito mais restrito deve impactar a produção da oleaginosa no estado.

O levantamento estima uma produtividade média de 62,44 sacas por hectare, o que representa um recuo de 5,43% frente ao ciclo passado. Consequentemente, a produção total da oleaginosa no estado foi projetada em 48,88 milhões de toneladas, uma redução de 5,19%.

Segundo Rodrigo Silva, coordenador de Inteligência de Mercado do Imea, o instituto adotou um cenário “conservador” nas projeções iniciais para incorporar esse risco hídrico.

Além do clima, o bolso do produtor sofre pressão. O aumento nos custos de insumos essenciais, como diesel e fertilizantes, deve comprimir as margens de lucro e forçar ajustes no pacote tecnológico.

A área plantada reflete essa cautela: a previsão é de um crescimento tímido de apenas 0,25%, alcançando 13,04 milhões de hectares, em um ambiente marcado por crédito restrito e juros elevados.

Apesar dos desafios produtivos e econômicos, o Imea ressalta que o volume projetado ainda se mantém em patamares historicamente altos, o que reafirma a importância estratégica de Mato Grosso na oferta nacional de soja, mesmo diante de um cenário de retração.

Previsões da NOAA

A revisão para baixo baseia-se em dados da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), que indica uma chance de 80% de ocorrência do El Niño durante o primeiro trimestre de desenvolvimento da soja.

Embora o fenômeno ainda não esteja configurado no estado, a expectativa é que ele se consolide entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027, coincidindo com o plantio.

“O que mais chama atenção neste primeiro levantamento é justamente o fator climático. Com uma probabilidade elevada de El Niño, a tendência é de maior irregularidade das chuvas no início do ciclo, o que pode impactar diretamente o potencial produtivo das lavouras”, explica Rodrigo Silva.

A variabilidade hídrica em fases decisivas pode comprometer o estabelecimento inicial das plantas e elevar o risco da temporada.