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Importação recorde de adubo pelo Brasil garante oferta, apesar da crise

Importação recorde de adubo pelo Brasil garante oferta, apesar da crise

Instabilidade climática reduzirá safra 2023/24, aponta Conab
Importação de fertilizantes é recorde e chega a 41,6 milhões de toneladas
Extremos climáticos já prejudicam plantio de soja

O mercado internacional de fertilizantes tem gerado preocupação em relação ao abastecimento nacional desses insumos. No entanto, o volume de importações no Brasil continuou recorde no mês de outubro e já está consolidado como o maior da série, conforme destaca o Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), publicação mensal com dados sobre o mercado de frete de grãos, bem como informações relevantes sobre a logística do agronegócio brasileiro.

A preocupação do mercado em relação ao abastecimento de fertilizantes vem do fato de a China e a Rússia terem anunciado restrições às exportações, sendo este último o principal país fornecedor para o Brasil. Mesmo assim, o volume de importação de fertilizantes no País bateu em outubro a marca histórica de 33,8 milhões de toneladas, caracterizando um maior investimento na safra atual, bem como indicação de um aumento de área plantada das principais commodities nacionais, como soja e milho.

Segundo o Boletim, o atual cenário mundial pode criar mais preocupação para o abastecimento para os próximos meses e, talvez, para o próximo ano. No entanto, o governo brasileiro já iniciou tratativas com o governo e empresas russas no intuito de garantir a regularidade no fornecimento de fertilizantes.

Seguindo o ritmo atual, nos próximos meses o País pode chegar a importar mais de 35 milhões de toneladas destes insumos, principalmente pelo fato de os produtores estarem capitalizados e incentivados ao investimento no plantio, apesar da elevação significativa dos custos dos adubos.

O Boletim Logístico traz como exemplo o Estado de Mato Grosso. O principal produtor de milho, soja e algodão do país importou, de janeiro a outubro, 6,6 milhões de toneladas, um incremento de 35,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os fretes, na maioria das rotas pesquisadas, seguem em baixa, tendo em vista o período de entressafra das principais praças produtoras, o que diminui o interesse pela movimentação de cargas de grãos. A expectativa é de que haja elevação dos preços quando se iniciar a colheita de soja, a qual se espera um volume recorde de produção, bem como em função dos impactos dos aumentos nos combustíveis.

O sócio-diretor da Agroconsult, André Pessôa, acredita que o problema com a falta de fertilizantes será para a safra de verão 2022/23.

“Tenho até dito para os produtores que o problema já deixou de ser preço, hoje é garantia da disponibilidade. Os custos já aumentaram e vão continuar elevados e isso vai reduzir a velocidade de expansão da agricultura brasileira na safra 2022/23”, ressaltou o consultor durante evento da associação de exportadores de cereais Anec, na quinta-feira, reportado pela Nova Cana.

Movimentação de estoques

Em relação à movimentação de estoques da Conab, a publicação informa, dentre outros temas, que houve continuação das contratações de transporte para movimentação de cestas de alimentos amparadas pelo TED nº 08/2020, que objetiva distribuir cestas de alimentos a públicos em situação de insegurança alimentar devido à Covid-19.

Confira na edição de novembro do Boletim Logístico mais detalhes sobre a questão dos fertilizantes, além de uma análise aprofundada dos mercados de frete em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal e Paraná.

Fonte: Conab e  Nova Cana